Israelitas indignados ao lado de palestinianos contra a ocupação

Jerusalém, 13 set (Lusa) -- Diz-se que a "Primavera revolucionária" não passou pela Palestina e nem sequer se sentiu a resistência pacífica através das redes sociais apesar do envolvimento cada vez mais constante de israelitas indignados contra a ocupação.

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São várias as dezenas de locais na Cisjordânia onde se verificam protestos todas as semanas contra a linha de separação, a expansão dos colonatos judaicos e contra a expropriação de terras e ocupação israelita dos territórios palestinianos.

Todas as semanas, depois da oração do meio-dia, há manifestações. De um lado o exército israelita, por vezes alguns colonos mais radicais, e do outro lado manifestantes palestinianos, ativistas internacionais e muitos apoiantes israelitas de todas as idades.

Estas manifestações de israelitas que apoiam os palestinianos verificam-se em Hebron, Ni`lin e Nabi Saleh, Jerusalém Oriental... Em Bil`in os protestos semanais começaram em 2005.

Há também ativistas internacionais que chegam todas as semanas mas a maior parte são residentes em Jerusalém e Tel Aviv.

Angela Godfried Goldsttein, responsável por uma organização não governamental israelita pela "paz e solidariedade com a população palestiniana", explica que demorou vinte anos para "começar a perceber o que se passava".

"Quando percebi, tornou-se doloroso, demasiado difícil. Porque nós somos o problema. Não eles", explica à Agência Lusa durante protesto contra um colonato em Jerusalém, no bairro palestiniano de Silwan.

Angela diz que se "importa com Israel" e que é "o que a motiva". "As nossas políticas e como nós os tratamos. Estamos a criar as condições nas quais o terror germina", afirma.

"Tratamo-los com desprezo, discriminação, racismo, não os estamos a tratar como seres humanos. Não têm liberdade, direitos. Direitos Humanos básicos", conclui.

Muriel Rothman, israelita americano e religioso, diz "amar Israel", quer que Israel seja "algo bom". "Ver (Israel) a afundar-se neste ciclo de violência e opressão e fazer da ocupação uma coisa permanente em vez de, Deus o permita, temporária..."

Rothman, que participa no mesmo protesto, tenta concluir a frase enquanto se ouvem os insultos do outro lado da rua : "inimigo de Israel", "tira a kippah (pequeno chapéu judaico)", "muda-te para a Arábia Saudita"...

A centenas de metros passam turistas alheios à manifestação, isolados pelas forças de segurança israelitas. Como pano de fundo, a cúpula negra da mesquita de Al-Aqsa, construída no alto do Muro das Lamentações. Tudo aqui é separado por metros.

O confronto durante os protestos começa como sempre: Uma pedra lançada pelas mãos de uma criança. A carga dos militares começa depois de serem lançadas granadas de gás.

Os israelitas correm para se afastar do gás lacrimogéneo, do spray "skunk", das balas de borracha. Israelitas solidários com os palestinianos sufocam. São feridos e arrastados para as carrinhas blindadas e são presos pelo próprio exército.

No meio de tudo, não é raro ouvir manifestantes israelitas gritarem aos soldados: "Eu ja estive aí! E depois como é que é ? Como é que é vai ser ?".

Todos os israelitas estão sujeitos a serviço militar obrigatório aos dezoito anos durante três anos. O serviço é muitas vezes passado na fronteira com a Faixa de Gaza, a Síria, o Líbano e com a Cisjordânia. Agora, grupos de judeus tentam alertar para os erros da ocupação.

Aqui não há Primavera nem ventos de mudança como no Magreb. Há manifestações que acabam depressa e é assim quase todos os dias.

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