Em direto
50 anos da Constituição da República. Parlamento assinala data com sessão solene

Israelitas preparam incursão. Governantes afirmam às tropas que "em breve" estarão em Gaza

Israelitas preparam incursão. Governantes afirmam às tropas que "em breve" estarão em Gaza

As Forças de Defesa de Israel estão a ultimar os preparativos para uma ofensiva terrestre em Gaza. Depois de um encontro com o ministro da Defesa e o primeiro-ministro, os militares israelitas aguardam ordem para entrar no território vizinho. Yoav Gallant e Benjamin Netanyahu admitiram que a invasão será mais abrangente e feroz, embora não tenham especificado quando pode começar, e instaram as tropas na linha da frente a "organizarem-se e ficarem prontas".

Inês Moreira Santos - RTP /
Ronen Zvulun - Reuters

“A ordem virá”, afirmou o ministro israelita da Defesa aos militares. “Agora, veem Gaza de longe, em breve estarão a vê-la no interior”.

“O comando virá”, assegurou ainda Gallant. “Tenho a tarefa de nos levar à vitória”.

Na visita com o primeiro-ministro israelita aos militares que estão na linha da frente, junto da fronteira com Gaza, o ministro instou os soldados a serem “precisos e enérgicos” nesta incursão que será “difícil, longa e intensa”.

“Continuaremos até cumprirmos a nossa missão”, acrescentou.

As Forças de Defesa de Israel concentraram, desde o ataque do Hamas a 7 de outubro, dezenas de milhares de soldados ao longo da fronteira e têm atingido várias regiões da Faixa de Gaza com ataques aéreos, o que tem aumentado o medo da população palestiniana.

Gallant assumiu ainda a responsabilidade pelo fracasso de não terem evitado o ataque do Hamas no sul de Israel, no início do conflito.

“Eu sou responsável pela Defesa. Fui responsável por isso nas últimas duas semanas, mesmo nos incidentes difíceis, e sou o responsável por levar-nos à vitória”, frisou.

Após as declarações do ministro da Defesa, Netanyahu também se dirigiu aos soldados, prometendo uma vitória das forças israelitas, e alertando-os de que “esta é a nossa hora mais sombria”.

“Vamos vencer com todas as nossas forças”, disse o primeiro-ministro ao grupo de soldados de infantaria que está na linha da frente. “Israel está convosco e vamos atacar fortemente os nossos inimigos para que possamos alcançar a vitória”.



No mesmo encontro, o chefe do Comando Sul das FDI, Yaron Finkelman, afirmou que a esperada ofensiva terrestre será “longa e intensa”.

“Esta guerra foi-nos imposta, com um inimigo cruel que nos prejudicou muito. Mas detivemo-lo, estamos a atacá-lo fortemente”.

As autoridades israelitas acreditam que não têm outra alternativa que não seja lançar um ataque massivo contra o Hamas, na Faixa de Gaza.

“A estratégia era ter um intervalo cada vez maior entre os diferentes conflitos, mas falhou e não pode acontecer”, explicou ao Guardian um alto funcionário da Defesa de Israel. “Portanto, a única conclusão é que temos de avançar, temos de entrar e eliminar o Hamas desde as suas raízes, não só militarmente mas também economicamente e a sua administração. Tudo tem de desaparecer”.

Em 14 dias de guerra entre Israel e o movimento radical Hamas, os bombardeamentos em Gaza causaram 3.785 mortos, 307 destes em 24 horas. Destas vítimas, 1.524 são crianças. Estima-se que haja ainda centenas de corpos debaixo de escombros.

A 7 de outubro, militantes do Hamas atravessaram a fronteira da Faixa de Gaza com Israel e assassinaram cerca de 1.400 israelitas, raptando ainda cerca de duas centenas de pessoas mantidas reféns pelo movimento islamita, o que levou à escalada do conflito na região.
PUB