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Itália exige a Israel libertação de cinco ativistas detidas durante apanha da azeitona
As detenções na Cisjordânia ocupada ocorrem num contexto de ataques de colonos contra agricultores palestinianos e ativistas internacionais. Dois portugueses, um dos quais jornalista, também foram detidos este mês mas já regressaram a Portugal.
A Itália exigiu esta sexta-feira a libertação imediata de cinco ativistas italianas detidas pelas autoridades israelitas na Cisjordânia ocupada, enquanto acompanhavam agricultores palestinianos durante a apanha da azeitona.
O caso surge numa altura de crescente tensão em torno da campanha agrícola, marcada por confrontos, denúncias de violência e detenções de cidadãos estrangeiros.
"O que aconteceu é inaceitável; elas não estavam a cometer crime algum", afirmou o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, citado pela Reuters, manifestando a expectativa de que as mulheres fossem libertadas nas próximas horas.
Segundo fontes da diplomacia italiana, as ativistas foram detidas na quinta-feira, juntamente com outros participantes internacionais, quando tentavam proteger agricultores palestinianos.
As autoridades israelitas indicaram que os detidos estavam numa zona agrícola abrangida por uma ordem militar de encerramento, onde a atividade de colheita não tinha sido autorizada.
A polícia alegou ainda que os ativistas desobedeceram às instruções dos militares.
Após o interrogatório, os estrangeiros ficaram sujeitos a procedimentos junto da Autoridade de População e Imigração, com vista à eventual expulsão.
A polícia israelita alegou também que alguns dos detidos tinham manifestado apoio a uma organização terrorista, acusações que não chegaram a ser confirmadas.
Apanha da azeitona marcada por violência e detenções
A apanha da azeitona, uma atividade económica importante para as comunidades palestinianas, tem sido palco de episódios de violência na Cisjordânia.
Israel restringe a colheita em determinadas zonas e exige autorizações prévias, enquanto agricultores e ativistas denunciam dificuldades no acesso aos olivais e ataques de colonos israelitas.
Nos últimos dias, foram também anunciadas expulsões de dois ativistas estrangeiros, pai e filho, detidos durante uma colheita perto de Tuani.
Os episódios surgem após relatos de agressões contra palestinianos e pessoas que os acompanhavam, incluindo a forojornalista Heidi Levin, do jornal norte-americano The Washington Post, hospitalizada na sequência de um ataque junto a olivais.
Dois portugueses também detidos durante a campanha
A sucessão de casos coloca novamente em evidência as restrições impostas à atividade agrícola palestiniana e os riscos enfrentados por quem acompanha os agricultores no terreno, num território onde a ocupação israelita e a violência associada à expansão dos colonatos continuam a alimentar a tensão.
Portugal também esteve envolvido nesta vaga de detenções.
Dois cidadãos portugueses, um dos quais o jornalista Ricardo Ribeiro, colaborador do projeto Fumaça, foram detidos a 8 de outubro, na região de Rantis, durante a campanha da azeitona.
Na altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, explicou que ambos estavam bem, não sofreram violência física e receberam apoio consular. Regressaram a Portugal no sábado seguinte, tendo a confirmação oficial da viagem sido divulgada posteriormente.