Itália indica que ICE estará nos jogos de inverno com analistas e não com agentes

Itália indica que ICE estará nos jogos de inverno com analistas e não com agentes

O Ministério do Interior da Itália esclareceu que o envolvimento do Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) nos Jogos Olímpicos de inverno Milão-Cortina 2026 não contará com pessoal do seu "braço operacional".

Lusa /

Após uma reunião entre o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e o embaixador dos Estados Unidos na Itália, Tilman J. Fertitta, o governo italiano esclareceu na terça-feira que a participação norte-americana se limitará ao "órgão de investigação do ICE", HSI.

"É importante reiterar que os investigadores da HSI não serão representados por pessoal operacional, como o dedicado aos controlos migratórios em território norte-americano, mas por especialistas dedicados exclusivamente a investigações", adiantou o ministério num comunicado.

Os analistas da HSI "trabalharão exclusivamente no interior das suas sedes diplomáticas e não no território", para o que os Estados Unidos instalarão uma sala operacional no seu consulado em Milão.

O executivo salientou que estes agentes não têm "qualquer atribuição" em solo italiano e que a sua principal função será a consulta das suas próprias bases de dados.

O Ministério do Interior recordou igualmente que a HSI está presente em mais de 50 países, incluindo em Itália há vários anos, e que os seus agentes "não realizam serviços de controlo da imigração em países estrangeiros".

A presença de membros da ICE suscitou preocupação em Itália, num contexto marcado pelas recentes rusgas contra imigrantes ordenadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo assassínio de Alex Pretti com tiros disparados por agentes daquela entidade.

O presidente da câmara de Milão, Giuseppe Sala, foi mais longe ao classificar o ICE como uma "milícia que mata", e o Partido Democrata (PD), principal força da oposição, denunciou que a presença destes agentes contradiz o espírito olímpico de inclusão.

Nesse sentido, o executivo italiano quis encerrar a polémica e garantiu que "todas as operações de segurança no território permanecem sob a responsabilidade e direção exclusivas das autoridades italianas".

Paralelamente, o Comité Nacional para a Ordem e a Segurança Pública definiu na terça-feira o plano de proteção para o evento olímpico, que prevê o envio de 6.000 agentes e sistemas de vigilância avançados.

"O dispositivo prevê a utilização de sistemas de vigilância avançados, incluindo `drones` e dispositivos de vigilância aérea, para apoiar as atividades de prevenção e controlo do território", especificou o Ministério do Interior em comunicado.

Além disso, confirmaram que será dada especial atenção à proteção da ordem pública, à segurança das infraestruturas e à gestão dos fluxos, bem como aos aspetos de prevenção, também no âmbito tecnológico.

 


 

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