Itália. Luigi Di Maio apela a protestos contra o próprio Governo

O ministro italiano das Relações Externas, Luigi Di Maio, está a apelar para que protestem desfavoravelmente contra o seu Governo. Este pedido surge como um sinal de turbulência entre os parceiros da coligação do Movimento Cinco Estrelas (M5S) e do Partido Democrata.

RTP /
O apelo ao protesto ganhou força depois de Matteo Renzi, ex-primeiro ministro que preside ao Italia Viva, ter posto em causa o voto de confiança que deu a Alfonso Bonafede, ministro da justiça do M5S Reuters

Luigi Di Maio afirmou que o povo italiano “deve manifestar-se pacificamente”, acrescentando que em causa está o sistema que pretende “cancelar as leis”. O apelo ao protesto ganhou força depois de Matteo Renzi, ex-primeiro ministro que preside ao Italia Viva, ter posto em causa o voto de confiança que deu a Alfonso Bonafede, ministro da justiça do M5S. Em causa estão as sucessivas reformas da justiça.

A aliança entre o M5S e o Partido Democrata de centro-esquerda foi iniciada em 2019. O objetivo seria evitar eleições que conduziriam a extrema-direita de Mateo Salvini ao poder. Contudo, esta coligação ficou cada vez mais enfraquecida devido ao fraco apoio do M5S e à saída constante dos seus representantes eleitos.

Após o apelo de Di Maio aos italianos, Jacopo Iacoboni, autor do livro The Experiment sobre o M5S, referiu que isto foi uma tentativa de relembrar ao partido os seus primeiros ideais.

“Di Maio pretende confirmar que o M5S permanece estritamente dedicado às principais questões históricas”, disse Iacoboni.

O autor acrescentou que, “ao fazer isso, ele não está a ajudar o seu próprio Governo. No entanto, a ideia não é produzir uma crise, mas fazer com que o povo se sinta vivo, uma vez que é o que resta dos eleitores do M5S para se sentirem confortáveis com a sua própria história política”.

O líder do Partido Democrata, Nicolas Zingaretti, referiu que o protesto é “um erro” e que o ministro das Relações Externas devia “olhar para o futuro”.

Desde que Di Maio entrou no Governo, mais de 20 deputados do M5S abandonaram o partido. O primeiro a ser expulso foi Gregorio de Falco na sequência do seu voto contra o projeto de leis de anti-imigração.

Atualmente no “grupo misto” do Parlamento, De Falco afirmou que “eles perderam os seus ideais”.

A sobrevivência desta aliança está dependente da estabilização do seu maior partido, o M5S. Até março, é Vito Crimi que se encontra no comando.
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