Itália. Partido centrista Azione impõe condições para acordo com Partido Democrático
O ex-ministro italiano Carlo Calenda apresentou hoje as condições do seu partido centrista, Azione, para um acordo com o Partido Democrático (PD, centro-esquerda), liderado por Enrico Letta, para as eleições gerais de 25 de setembro.
Calenda alertou Letta que não está disposto a entrar numa coligação com outras figuras de esquerda do espetro político italiano e com antigos membros do Movimento 5 Estrelas (M5S), tal como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio.
Segundo o ex-ministro da Indústria, o acordo também tem de assegurar que as políticas propostas pelas partes pertencentes à coligação não entrem em conflito umas com as outras.
"Se a resposta for não, então caro Enrico Letta, será totalmente responsável pela rutura e nós iremos lutar em público com um manifesto credível para que o Governo bloqueie o avanço de Meloni", comentou Calenda, num vídeo publicado no Twitter, referindo-se à líder do partido Irmãos da Itália (FdI).
"Quero saber se as condições lhe parecem absurdas ou não. Para mim parecem ser o mínimo para evitar montar uma banda cheia de ideias diferentes, totalmente incoerentes e de baixa qualidade", continuou.
O partido de Calenda e do seu grupo parceiro, +Europa, têm atualmente o apoio de cerca de 5% do eleitorado, de acordo com as sondagens.
Espera-se, no entanto, que a Azione forme uma aliança com o partido Italia Viva (IV), do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, que disse estar pronto para se candidatar sozinho se necessário.
Segundo as sondagens, a IV recolhe 2-3% das intenções de voto e a coligação direita/centro-direita, entre o FDI de Meloni, a Força Itália (FI) do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e a Liga de Matteo Silvini, parece estar numa posição forte para ganhar as eleições.
As hipóteses da direita parecem ter sido beneficiadas com o afastamento verificado entre outros partidos e o M5S prepara-se para concorrer independentemente, depois de protagonizar a crise governamental que levou ao colapso da coligação do primeiro-ministro cessante, Mario Draghi.