Itália. Salvini organiza manifestação contra o Governo

Matteo Salvini apelou aos simpatizantes de extrema-direita para marcharem sobre Roma. O líder da Liga pediu um "dia de mobilização" para protestar contra a tentativa de expulsar o seu partido do poder.

RTP /
Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália EPA

Mudam-se os tempos, mas podem ter voltado os costumes. Apesar de já ter passado praticamente um século desde a famosa Marcha sobre Roma – vasta manifestação fascista que ocorreu a 28 de outubro de 1922, na origem da ascensão ao poder do Partido Nacional Fascista (PNF), depois de colocar um ponto final na democracia liberal – parece que Matteo Salvini pretende seguir as pisadas do Duce, Benito Mussolini.

O líder da Liga terá pedido aos seus partidários para descerem às ruas de Roma à semelhança dos milhares de fascistas que, naquela altura, se dirigiram à capital de todas as formas possíveis como forma de protesto.


Salvini já tinha tentado derrubar o Governo italiano e inclusive forçou eleições antecipadas no país, mas ambos os planos saíram furados. Desta vez, a nova abordagem de protesto, para tentar impedir que o partido da Liga seja expulso do Governo, passa por uma grande manifestação na capital italiana.

"De norte a sul, desde a maioria silenciosa … um dia de mobilização para aqueles que não querem um Governo nascido durante a noite em Bruxelas", afirmou Salvini.

"Não estou zangado por causa dos meus interesses pessoais, mas porque um assalto à democracia está em andamento", ressalvou.

A última oportunidade para evitar eleições antecipadas surgiu esta quinta-feira quando primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, recebeu um novo mandato para tentar garantir um acordo entre o Movimento 5-Estrelas e o Partido Democrático.

Este pode vir a ser “um momento de relançamento”, garantiu Giuseppe Conte. Talvez a Itália volte a ser um "protagonista" na União Europeia, acrescentou.

Ainda assim, Matteo Salvini não desiste.

“Eu olho para o futuro. Nós vamos continuar a lutar”, lê-se num tweet publicado por Salvini.
Para mim, honra e dignidade valem mais do que mil ministérios. [Este] é um Governo de perdedores, que não tem maioria nem no parlamento nem entre os italianos”, escreveu o líder da Liga no Twitter

#Salvini: è un governo dei perdenti, che non ha la maggioranza né in parlamento, né tra gli italiani.
Faltam poucos dias para ser tomada a derradeira decisão. O primeiro-ministro italiano tem menos de uma semana para garantir que a união entre o M-5E e o Partido Democrático não cai por terra.

Apesar de esta solução ser a mais satisfatória para Giuseppe Conte, o líder da Liga continua sem acreditar que estes dois partidos deixem de lado as suas inúmeras diferenças para criar uma coligação forte e um Governo duradouro.

“Fechem os olhos e digam-me o que Renzi e Di Maio têm em comum”, começou por afirmar Matteo Salvini.

Espero que este Governo não nasça, seria um insulto à democracia”, rematou.
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