Itália. Salvini proíbe entrada de navio alemão com 101 refugiados

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, assinou esta terça-feira um decreto para proibir a entrada de um navio humanitário alemão nas águas territoriais italianas. O navio, apelidado de Eleonore, transporta 101 refugiados resgatados da Líbia.

RTP /
Eleonore, o navio de salvamento alemão Twitter @seecoverage - Johannes Filous

O líder da Liga de extrema-direita, Matteo Salvini, voltou a impedir a entrada de migrantes no país.

Um navio de resgate, ao serviço da organização não-governamental alemã Mission Lifeline, ia tentar ancorar na costa italiana, a mais próxima da sua localização, mas Salvini antecipou-se.

De acordo com um comunicado do Ministério do Interior, Salvini assinou, na tarde desta terça-feira, o decreto com a “proibição de entrada, trânsito e atracamento em águas territoriais italianas do navio Eleonore”.

Esta segunda-feira, o navio que tem a bandeira alemã hasteada resgatou 101 refugiados oriundos da Líbia. Estes migrantes estavam num barco azul insuflável, prestes a afundar-se, em pleno Mar Mediterrâneo.
“A equipa de Eleonore fez um ótimo trabalho. Agora estamos à procura de um porto seguro. (…) Espero que as pessoas possam desembarcar em breve”, lê-se num tweet publicado pelo capitão do navio, Claus-Peter Reisch.
No entanto, a procura não tem sido fácil.

Depois de várias horas a apelar por qualquer tipo de ajuda, o capitão revelou que ainda não tinham recebido um “feedback positivo dos países da União Europeia”.

Malta negou o fornecimento de água e comida”, escreveu o capitão, esta manhã, na rede social Twitter.
O Presidente da organização, Axel Steier, já tinha afirmado que tanto as autoridades italianas como as maltesas se tinham recusado a ajudar.

Contudo, Axel Steier revelou que, em caso de emergência, o capitão do navio tem ordens para atracar num dos portos mais próximos.  A Itália e Malta devem ser os destinos mais propícios devido à localização atual do navio.

"Se o navio entrar em perigo no mar, vai navegar para um porto", garantiu Axel Steier. "Não cabe a Salvini decidir, mas sim ao capitão", assegurou.

Ainda na semana passada Malta permitiu o desembarque de 356 migrantes transportados pelo navio de salvamento Ocean Viking. Já outros cinco Estados da União Europeia também aceitaram abrir portas e receber dezenas de migrantes presos a bordo do Open Arms, um outro navio de resgate.

Esta decisão surgiu depois de o Governo de Itália ter rejeitado a entrada do navio Open Arms nas águas territoriais italianas.
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