Mundo
Itália. Seguro critica "inércia" dos líderes europeus e avisa: "A Europa não pode continuar dependente dos EUA"
De visita a Florença, em Itália, onde participou nas celebrações dos 50 anos do Instituto Universitário Europeu, o Presidente da República, António José Seguro, defendeu, esta quinta-feira, uma maior "autonomia estratégica" e afirmou que a "Europa não pode continuar dependente dos Estados Unidos" em áreas como a segurança e a defesa.
Numa intervenção a que assistiram figuras como a presidente do
Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e o presidente do Conselho Europeu e
ex-primeiro-ministro, António Costa, o chefe de Estado português
alertou para os riscos que atualmente ameaçam o projeto europeu, desde a
guerra na Ucrânia ao crescimento dos nacionalismos e da desinformação, e
lançou o desafio para uma resposta assente em “mais união, mais
integração política e mais capacidade de decisão”.
“A Europa percebeu que a Rússia é uma ameaça real e não pode continuar dependente dos Estados Unidos para assegurar a sua segurança e defesa”, afirmou António José Seguro perante alguns líderes europeus, académicos, investigadores e estudantes reunidos no Teatro del Maggio Musicale Fiorentino.
“A
autonomia estratégica que preconizo não é anti-atlantista, é
responsabilidade. Devemos manter a NATO, mas numa relação de aliados que
cooperam em pé de igualdade, sem dramatismos, mas com muita lucidez”,
disse.
“A
liberdade e a paz estão a ser ameaçadas pela força bruta de fora e
também pela indiferença e pelo cinismo de dentro”, insistiu.
Seguro alerta para crescimento de "nacionalismos" e apela a soluções conjuntas na UE
Em Florença, António José Seguro deixou também um alerta sobre o crescimento dos nacionalismos na Europa, defendendo que os erros históricos não podem ser repetidos.
“Patriotismo e nacionalismo não são sinónimos. Amar o país de onde se vem é uma emoção legítima e nobre. Transformar esse amor em arma contra os outros é o caminho para o abismo e para a destruição coletiva”, afirmou.
No mesmo sentido, o Chefe de Estado defendeu ainda o aprofundamento da integração política europeia, considerando que “recuar não é opção” e que os problemas comuns exigem “respostas comuns”.
António José Seguro criticou também a regra da unanimidade em matérias estratégicas na União Europeia, considerando que o atual modelo de decisão impede respostas rápidas aos desafios internacionais: “Uma Europa de 27 países que se move apenas quando há consenso é uma Europa que chega sempre tarde”.
Depois da participação nas cerimónias, em Florença, onde não ficou para assistir à intervenção do presidente do Conselho Europeu, António Costa, o Presidnete da República seguiu para a cidade de Roma, onde vai encontrar-se com o homólogo italiano Sergio Mattarella.
“A Europa percebeu que a Rússia é uma ameaça real e não pode continuar dependente dos Estados Unidos para assegurar a sua segurança e defesa”, afirmou António José Seguro perante alguns líderes europeus, académicos, investigadores e estudantes reunidos no Teatro del Maggio Musicale Fiorentino.
Apesar das diferenças apontadas entre Bruxelas e
Washington, António José Seguro rejeita, no entanto, que mais autonomia
estratégica europeia seja sinónimo de uma rutura com os EUA.
Ao longo da intervenção, António José Seguro insistiu
na ideia de que a Europa vive um momento decisivo e comparou os
desafios atuais às ameaças que marcaram o século XX.
Seguro alerta para crescimento de "nacionalismos" e apela a soluções conjuntas na UE
Em Florença, António José Seguro deixou também um alerta sobre o crescimento dos nacionalismos na Europa, defendendo que os erros históricos não podem ser repetidos.
“Patriotismo e nacionalismo não são sinónimos. Amar o país de onde se vem é uma emoção legítima e nobre. Transformar esse amor em arma contra os outros é o caminho para o abismo e para a destruição coletiva”, afirmou.
No mesmo sentido, o Chefe de Estado defendeu ainda o aprofundamento da integração política europeia, considerando que “recuar não é opção” e que os problemas comuns exigem “respostas comuns”.
António José Seguro criticou também a regra da unanimidade em matérias estratégicas na União Europeia, considerando que o atual modelo de decisão impede respostas rápidas aos desafios internacionais: “Uma Europa de 27 países que se move apenas quando há consenso é uma Europa que chega sempre tarde”.
Depois da participação nas cerimónias, em Florença, onde não ficou para assistir à intervenção do presidente do Conselho Europeu, António Costa, o Presidnete da República seguiu para a cidade de Roma, onde vai encontrar-se com o homólogo italiano Sergio Mattarella.