Japão coloca com êxito sonda em órbita lunar
A sonda espacial japonesa "Kaguya" colocou-se com êxito em órbita à volta da Lua, que deverá explorar durante cerca de um ano, anunciou hoje a agência espacial do Japão (Jaxa).
"Temos a confirmação de que a sonda está a funcionar normalmente", indicou a Jaxa em comunicado, precisando que a colocação em órbita ocorreu quinta-feira, dia em que se assinalou o 50º aniversário do lançamento do primeiro satélite artificial, o "Sputnik", pela então União Soviética.
Tratava-se da manobra mais arriscada da missão, apresentada como o programa lunar mais ambicioso desde as missões norte-americanas "Apollo".
A sonda, também conhecida por SELENE (acrónimo de "Selenological and Engineering Explorer") deverá aproximar-se progressivamente da Lua para se estabilizar numa órbita de observação a uma distância de 100 quilómetros do solo.
Nos próximos dias, está previsto que dois pequenos satélites de 50 quilogramas que viajam na "Kaguya" se desprendam da estrutura principal para observar a superfície lunar a partir de órbitas elípticas distintas, o que deverá acontecer a partir de Dezembro.
Um dos satélite servirá de retransmissor de dados para a Terra quando a sonda estiver atrás da Lua e o outro permitirá medir o campo de gravidade lunar.
Segundo a Jaxa, a sonda "Kaguya", de três toneladas de peso, 2,1 metros de comprimento e 4,8 metros de altura, permitirá uma investigação da Lua mais precisa do que as realizadas até agora por qualquer outra missão de exploração.
A sonda está equipada com 14 instrumentos científicos que recolherão informação sobre a superfície lunar para determinar a sua composição mineral, estrutura e geografia, assim como o seu campo de gravidade e os vestígios do campo magnético.
A "Kaguya" estudará também o impacto do Sol na Lua através da observação das auroras sobre os dois pólos e transporta também uma câmara de alta definição que permitirá obter fotografias da Terra sobre o horizonte lunar.
De acordo com a agência espacial japonesa, o objectivo da missão é compilar informação, durante cerca de um ano, para resolver "o mistério de quando e como foi criada a Lua".
A Jaxa acredita que as suas investigações poderão permitir no futuro a instalação de uma base humana permanente na Lua.
A viagem da "Kaguya" começou a 14 de Setembro, quando foi lançada a partir do centro espacial japonês, situado na ilha de Tanegashima (Oeste do Japão). No final da missão, a sonda irá despenhar-se no solo lunar.
Com esta missão, o Japão adiantou-se ao programa espacial da China na corrida para colocar um satélite de fabrico próprio na Lua.
A China, que se tornou há apenas quatro anos no terceiro país a lançar uma nave espacial tripulada, espera lançar, previsivelmente até final do ano, uma sonda lunar, à qual poderá seguir-se um desembarque e, em 2017, uma missão robótica.
A Jaxa afirma que a "Kaguya" é a missão lunar mais complexa desde o programa "Apollo", responsável pelo famoso passeio lunar do astronauta Neil Armstrong, em 1969, e assinala que marcará um antes e um depois no "caminho para a Lua".
A missão, chamada "Kaguya" em honra de uma princesa selenita (suposto habitante da Lua) de um conhecido conto infantil japonês, custou 55 mil milhões de ienes (340 milhões de euros), em parte financiados pela empresa privada Mitsubishi Heavy Industries.