Japão exige à Rússia acesso ao jornalista detido por suspeita de espionagem
O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, afirmou hoje que Tóquio exigiu à Rússia o acesso consular a um jornalista japonês detido sob acusações de espionagem, numa altura de deterioração das relações bilaterais.
O diretor-geral dos Assuntos Europeus do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Kimitake Nakamura, apresentou um pedido formal em Moscovo "exigindo a rápida concessão de uma visita consular ao cidadão japonês detido e a sua libertação imediata", afirmou Kihara, em conferência de imprensa.
Nakamura reuniu-se na terça-feira na capital russa com uma diplomata russa, Lyudmila Georgievna Vorobyova, encontro no qual, segundo Kihara, foram abordadas "diversas questões bilaterais pendentes no contexto atual".
Embora o porta-voz tenha evitado entrar em detalhes sobre as conversações, reconheceu que as relações entre a Rússia e o Japão "atravessam uma situação complexa".
Em 13 de outubro, o ministério russo dos Negócios Estrangeiros informou que o jornalista Yuki Imai, do jornal Hokkaido Shimbun, estava acusado de "realizar atividades de espionagem em território russo".
Em resposta, Tóquio convocou o embaixador da Rússia para protestar contra a detenção, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros apelado a um "tratamento justo e imparcial".
Dois dias depois, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, negou qualquer atividade de espionagem na Rússia, após a detenção por Moscovo de um jornalista nipónico, acusado de espionagem.
"Não existe tal facto", declarou Takaichi aos jornalistas, em resposta a uma pergunta sobre as acusações russas.
"A proteção dos cidadãos japoneses é extremamente importante neste momento, e tencionamos concentrar os nossos esforços nesse objetivo", acrescentou.
Nos últimos anos, a Rússia deteve vários cidadãos de países que considera hostis, acusando-os de trabalhar para os serviços secretos ocidentais.
Takaichi afirmou que os pormenores das acusações são vagos. "A legislação nacional de cada país é diferente, pelo que ainda não conhecemos os pormenores do que eles designam por `alegação`", afirmou a chefe do Governo nipónico. "No entanto, o Japão defenderá firmemente a sua própria posição", acrescentou.
O serviço de segurança russo FSB indicou, anteriormente, que um cidadão japonês foi detido na ilha de Sakhalin, no extremo oriente russo, nas proximidades de um arquipélago disputado, sem, no entanto, revelar a identidade da pessoa.
O FSB apontou que essa pessoa tinha trabalhado para os serviços secretos japoneses, com o objetivo de recolher informações sobre a defesa da Rússia.
Moscovo e Tóquio estão envolvidas há décadas numa disputa territorial relativa ao estatuto de um arquipélago no Oceano Pacífico, ao largo da costa nordeste do Japão e a sudoeste da região russa de Sakhalin.