Japão falha teste de remoção de lixo no espaço

O espaço sobre as nossas cabeças tem cada vez mais lixo. Todos os anos são enviados para órbita satélites e naves que, na ascensão, na acoplagem ou no regresso à Terra, libertam peças que ficam a flutuar no espaço. Desde os primórdios da exploração espacial, nos anos 60 do século XX, a órbita do planeta azul acumulou mais de seis milhões de toneladas de lixo.

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Os detritos espaciais, que podem também ser deixados em órbita por colisões entre satélites, ou mesmo testes balísticos, formam hoje um “anel metálico” em redor da Terra.Há mais de 100 milhões de detritos espaciais em redor da Terra. Muitos deslocam-se a mais de 35 mil quilómetros por hora, incluindo satélites abandonados e fragmentos de naves.

E esta é uma preocupação que se agudiza nos corredores das agências espaciais. Investimentos de largos millhões de dólares, em satélites ou módulos habitacionais, correm sérios riscos de inutilização.

Entre os vários projetos em curso para tentar resolver este problema, o da JAXA - Agência Espacial Japonesa foi, até agora, o único a ascender à órbita terrestre, mas sem sucesso.

O desaire aconteceu porque o satélite que estava programado para lançar no espaço um cabo de 70 metros, composto por aço e alumínio, não foi capaz de o fazer. A sonda japonesa acabou capturada pela gravidade do planeta e desintegrou-se na atmosfera.

Kounotori 6
O projeto japonês Kounotori 6 é a primeira experiência destinada a tentar limpar lixo espacial. A ideia consiste em estender um cabo no espaço, que servirá para arrastar o lixo espacial da órbita terrestre.

Arpões ou velas magnéticas são outras hipóteses académicas em ponderação. Mas o cabo japonês - supercondutor - comporta uma carga eletromagnética que, em teoria, obrigará os objetos metálicos a desviar a trajetória e a convergirem.A probabilidade de ser atingido no solo por lixo espacial é de um para um bilião. Por comparação, o risco de ser atingido por um raio é de um para um milhão.

O sistema funciona por indução e através de um longo cabo lançado por um satélite semi-estacionário. A extremidade ficaria no início da camada atmosférica que exerce força gravítica negativa sobre os objetos em órbita.

Na prática, mediante a interação com o próprio campo magnético da Terra, criar-se-ia um íman que puxaria os detritos para fora de órbita. Todavia, o Kounotori 6 foi incapaz de libertar o cabo.

"Nós não conseguimos estender o cabo. Achamos que a falha não esteve no cabo, mas noutros motivos. Já está a ser realizada uma análise detalhada sobre o que aconteceu", disse um porta-voz da JAXA à revista New Scientist.

"Lançar um cabo pode parecer simples, mas nada no espaço é simples", disse, por sua vez, Sean Tuttle, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália: "A mais pequena coisa pode perturbar todo o sistema e não se pode ir lá e reajustar".

Antes de o Kounotori 6 executar a “missão secundária” (Clean Space Junk Test), o veículo espacial do Japão serviu como módulo de transporte de material e alimentos para os astronautas na Estação Espacial Internacional.


Missão cada vez mais prioritária
"A falha do teste japonês não deve ser vista como um retrocesso, classificando-a como um prego no caixão para a remoção de lixo”, diz Tuttle. "Existem vários sistemas teoricamente viáveis para remoção de detritos, mas na verdade nunca existiu ninguém para o demonstrar. Quanto mais cedo chegarmos a algo para poder trabalhar, melhor.No espaço flutuam luvas, ferramentas, parafusos, uma espátula e muito urina congelada, libertada pelos astronautas antes de haver sistema de reciclagem.

As naves de abastecimento da Estação Espacial Internacional podem vir a ser equipadas com este sistema e, no regresso, servirem como isco para capturar e arrastar o lixo em órbita.

O teste do cabo japonês foi a primeira tentativa, no espaço, para a remoção de detritos, mas há outros sistemas como o da utilização de redes, arpões e velas por parte do Reino Unido, a implementar já este ano. A Agência Espacial Europeia propõe-se, por seu turno, testar redes ou braços robóticos em 2023.

O certo é que são mais de 100 milhões os detritos espaciais a viajar em redor do planeta, muitos deles a mais de 35 mil quilómetros por hora, incluindo satélites abandonados e fragmentos de antigas naves espacial.



Detritos que representam um perigo para os satélites em pleno funcionamento e novos veículos espaciais.
Luvas, ferramentas, e espátulas
O lixo espacial encontra-se a cerca de 740 quilómetros da superfície terrestre. Ocupa já uma largura de quase 1200 quilómetros. A maior concentração localiza-se entre os 740 e os 800 quilómetros de altitude.

É um lixo peculiar, distante dos desperdícios produzidos em Terra: inclui objetos tão variados como uma luva do primeiro astronauta americano que passeou no espaço, uma mala de ferramentas no valor de 100 mil dólares, ou mesmo uma espátula que se perdeu do vaivém espacial Columbia, além de muita urina congelada dos astronautas - ejetada antes da criação de um sistema de reciclagem.

Lixo que pode parecer inofensivo, mas que atinge velocidades astronómicas. Segundo os cientistas que diariamente acompanham estes detritos, durante um ano podem cair na Terra até 400 objetos, sendo que cerca de 100 não se desintegram por completo na atmosfera.

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