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Japão. Imperador abdica do trono após três décadas de reinado
O imperador japonês Akihito vai abdicar do trono esta semana, ao fim de 30 anos de reinado, em favor do filho mais velho, Naruhito, que se tornará o soberano da mais antiga monarquia do mundo.
Akihito, de 85 anos, deixa o trono ao seu filho mais velho, príncipe herdeiro Naruhito, de 59 anos, sendo o primeiro imperador a abdicar em 200 anos.
O imperador japonês em agosto de 2016, já havia expressado o seu desejo de abandonar as funções por não ter a possibilidade de exercer as tarefas devido a problemas de saúde.
No dia 1 de maio, às 00:00, o Japão entra no ano 1 da nova era imperial “Reiwa” (“Bela harmonia”), após três décadas sob o império de “Heisei” (“Conclusão da paz”), com a tomada de posse de Naruhito que se torna o imperador número 126 a subir ao trono.
Akihito vai anunciar a abdicação num ritual terça-feira à noite, mas continua a ser imperador até Naruhito assumir a sua era. Na manhã de quarta-feira, no primeiro ritual como imperador, Naruhito irá receber a espada e a jóia imperiais, como prova da sua ascensão ao trono.
O Imperador e o herdeiro
Naruhito, historiador de formação, promete ajudar o Japão a avançar para a modernização da mais antiga monarquia reinante do mundo, e ignorar a rígida tradição imperial do Japão.
Assim como o pai, Naruhito casou com uma plebeia, a princesa Masako, com quem tem uma filha e a quem tem protegido de críticas e ataques públicos, sobretudo numa fase em que esta atravessa uma doença prolongada do foro psicológico.
O filho mais velho do imperador foi criado pela mãe, Michiko, e não pelo staff do Palácio Imperial, e estudou em Oxford em vez de estudar em estabelecimentos japoneses, como era a tradição.
Contrariamente ao filho, Akihito teve uma educação dirigida por tutores imperiais e passou por experiências traumáticas, como quando teve de fugir da II Guerra Mundial, em criança.
Com a derrota do Japão na II Guerra Mundial, o papel do imperador ficou muito limitado. “Segundo a Constituição, o imperador japonês é um símbolo, mas penso que este imperador já transformou o símbolo num ser humano”, defende a jornalista Makoto Inoue.
Desde que foi nomeado imperador, em 1989, Akihito recusou sempre ser tratado como “um ser divino”, tentando humanizar o cargo.
Depois da abdicação
Depois da abdicação, Akihito terá o título de "Imperador Emérito", mas deixará de exercer quaisquer deveres oficiais.