Japão reforça vigilância após "invasão" do espaço aéreo pela China
Tóquio, 14 dez (Lusa) -- O Japão anunciou hoje que pretende reforçar a vigilância, um dia depois de um avião de patrulha marítima chinesa ter violado "pela primeira vez" o que Tóquio considera ser o seu espaço aéreo no sudoeste do arquipélago.
"Tomaremos todas as medidas possíveis em prol da defesa do nosso espaço aéreo", disse o ministro porta-voz do Governo, Osamu Fujimura, em declarações citadas pela agência Kyodo e reproduzidas pela Efe.
Fujimura realçou que o Ministério da Defesa nipónico planeia realizar "operações mais efetivas", depois de, na quinta-feira, um avião de vigilância chinês ter sobrevoado as ilhas disputadas no Mar da China Oriental, levando Tóquio a mobilizar oito caças F-15 para o local.
O porta-voz do Executivo nipónico considerou que a "intrusão" por parte da China tinha por objetivo reivindicar as ilhas, acrescentando que o Governo "enfrentará com firmeza qualquer ação que infrinja a soberania" do seu país.
A disputa pelas Diaoyu/Senkaku, ilhas desabitadas e com uma superfície inferior a sete quilómetros quadrados, levou a que as relações entre a China e o Japão conhecessem um dos seus piores momentos em décadas, depois de Tóquio ter adquirido, em meados de setembro, três das ilhas a um proprietário privado.
O gesto foi contestado tanto pela China como por Taiwan -- que também reclama a soberania das ilhas -- e gerou uma onda de protestos contra o Japão em várias cidades chinesas que, em alguns casos, tiveram contornos violentos, e ao cancelamento de eventos diplomáticos.
Desde que o clima de tensão se agravou, a zona alvo da contenda tem vindo a ser patrulhada por barcos da China e do Japão, que administra as ilhas Senkaku/Diaoyu, onde se suspeita que existam importantes recursos, como reservas de petróleo e gás natural.