Jaruzelski inculpado por instauração da lei marcial
O antigo homem forte da Polónia, general Wojciech Jaruzelski, 82 anos, foi inculpado de "crime comunista" por ter instaurado a lei marcial, em 1981, contra o sindicato independente Solidariedade, anunciou um procurador encarregado do processo.
"O general Jaruzelski é inculpado de um crime comunista por ter dirigido uma associação armada de carácter delituoso", disse o procurador Przemyslaw Piatek, do Instituto da Memória Nacional, que instrui os crimes nazis e comunistas.
Piatek não podia ainda referir a que pena poderá ser condenado o general, que dirigiu o governo e o partido comunista polaco entre 1981 e 1989.
Jaruzelski está já a ser julgado num processo que se tem vindo a arrastar por presumível responsabilidade pela sangrenta repressão da revolta operária no litoral Báltico, em 1970, quando era ministro da Defesa.
O parlamento polaco absolveu já, em 1996, o general Jaruzelski de qualquer responsabilidade constitucional pela instauração da lei marcial.
O antigo líder comunista foi novamente falado, quando enviou quinta-feira ao presidente conservador Lech Kaczynski uma "Cruz dos deportados na Sibéria", condecoração que lhe foi atribuída "por engano", segundo a presidência.
Jaruzelski esteve de facto deportado na Sibéria, com a sua família, em 1940, quando a parte oriental da Polónia ficou sob ocupação soviética devido ao pacto Ribbentrop-Molotov de 1939.
Contudo, a condecoração motivada pela deportação não é automática, pois a lei dispõe que é reservada aos patriotas polacos que sofreram sob o regime estalinista e permaneceram fiéis à ideia de independência da Polónia.
Na quarta-feira, os colaboradores do presidente Lech Kaczynski, antigo membro do Solidariedade, indicaram que o general a recebera "por engano", tendo o seu nome sido acrescentado à lista dos candidatos à condecoração "à revelia" do chefe de Estado.
Numa carta divulgada hoje, o general Jaruzelski "lamentou" a posição em que se viu o presidente, "colocado numa situação desagradável pela atribuição de uma condecoração à sua revelia e contra a sua vontade".
A personalidade do general continua a ser controversa na Polónia, vendo alguns nele o homem que os poupou a uma invasão soviética em 1981, e outros acusando-o de ter reprimido o movimento Solidariedade fazendo assim adiar por sete anos a queda do comunismo no leste europeu.