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Jihadistas atacam empresas chinesas no Mali em ofensiva económica contra junta

Jihadistas atacam empresas chinesas no Mali em ofensiva económica contra junta

Os fundamentalistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM, na sigla em árabe) multiplicaram nas últimas semanas os ataques a instalações estrangeiras no Mali, sobretudo chinesas, para fragilizar a junta no poder.

Lusa /
Souleymane Ag Anara - AFP

Segundo o instituto norte-americano American Enterprise Institute, o JNIM já atacou já sete instalações industriais, seis delas chinesas, com o objetivo de forçar o pagamento de "taxas de segurança" e "deslegitimar o governo".

O grupo afiliado à Al-Qaida tinha em junho ameaçado atingir empresas estrangeiras.

Em agosto, as investidas intensificaram-se na região aurífera de Kayes, no oeste, e atingiram pela primeira vez o centro do país, incluindo fábricas de açúcar chinesas em Ségou. Dias depois, um guarda morreu num ataque a uma mina de lítio explorada por britânicos em Bougouni (sul).

"Não se trata de hostilidade específica contra os chineses, mas sim de uma lógica de enfraquecer a economia maliana", afirmou Bakary Sambe, diretor do Timbuktu Institute, sediado em Dakar, citado pela agência de notícias France-Presse.

Kayes é considerada estratégica, representando 80% da produção de ouro maliana e servindo de corredor comercial para o Senegal, o principal fornecedor do país, destacou o Soufan Center.

De acordo com a ONU, o JNIM é hoje "a principal ameaça no Sahel". No início de setembro, o grupo impôs um bloqueio em Kayes e Nioro, na fronteira com a Mauritânia, para travar a entrada de combustível e ameaçou comerciantes e transportadores.

O analista Liam Karr, do American Enterprise Institute, referiu que pelo menos "11 cidadãos chineses" foram sequestrados, sobretudo em Kayes.

A China não confirmou o número, mas a embaixada em Bamaco garantiu manter contactos com as autoridades locais e não poupar esforços para resgatar os raptados.

A diplomacia chinesa assegurou ainda ter adotado medidas para proteger os seus cidadãos no Mali. O JNIM é igualmente suspeito do rapto de três indianos em julho numa cimenteira no oeste do país.

O American Enterprise Institute alertou que a ofensiva pode "minar as relações comerciais" com a China, "um dos maiores parceiros económicos" do Mali.

Entre 2009 e 2024, o investimento privado chinês ascendeu a 1,6 mil milhões de dólares (1,35 mil milhões de euros), enquanto Pequim aplicou 1,8 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) em 137 projetos desde 2000.

A presença chinesa ganhou relevo após os golpes de Estado de 2020 e 2021, num contexto em que a junta rompeu com a França e se aproximou de Rússia e Turquia.

O Mali conta atualmente com o apoio de blindados chineses, veículos aéreos não tripulados (`drones`) turcos e da força russa Africa Corps (ex-Wagner) no combate ao JNIM e ao Estado Islâmico no Sahel.

"A Rússia está disposta a usar a instabilidade para reforçar a sua influência, em contraste com a China, que procura estabilidade para proteger os seus interesses comerciais", comentou Karr.

Os ataques surgem num momento em que a própria junta procura reforçar o controlo sobre recursos estratégicos, como a maior mina de ouro do país, Loulo-Gounkoto, exigindo centenas de milhões de euros de impostos em atraso à canadiana Barrick Mining.

 

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