Jihadistas terão executado um dos reféns japoneses

Um vídeo alegadamente publicado na internet pela organização terrorista Estado Islâmico, mostra aparentemente a execução de um dos dois reféns japoneses raptados na Síria, o miliciano Haruna Yukawa.

RTP /
Militantes do Estado Islâmico em parada Reuters

A locução do vídeo será do outro refém, o jornalista freelance Kenji Goto, que afirma que o seu concidadão foi executado.

Apesar de estar ainda a verificar a autenticidade do vídeo, o Governo japonês reagiu com indignação, exigindo a libertação imediata de Goto.

"A ser verdadeiro, este é um ato ultrajante e inaceitável" afirmou Yoshihide Suga, ministro de Estado e porta-voz do Governo japonês, numa primeira reação perante os jornalistas.

Yoshihide Suga, porta voz do Governo do Japão (Foto: Reuters)

Palavras ecoadas pelo primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe, após uma reunião do gabinete de crise formado para lidar com a situação dos reféns.

"Sinto um grande sentimento de fúria", afirmou Abe. "Não iremos ceder ao terrorismo", garantiu, exigindo ao mesmo tempo a libertação de Goto são e salvo.

"Não tenho palavras nem imagino a dor da família. Trata-se de um ato terrorista indesculpável e uma barbaridade imperdoável. Estou indignado e condeno-o energicamente", disse o primeiro-ministro sobre a mensagem que informa sobre a execução de Yukawa.

Abe acrescentou que está a trabalhar com outros países para libertar o jornalista, sem responder a quaisquer perguntas.
Troca por troca
O vídeo foi publicado na rede Twitter mas rapidamente apagado e, no website de um grupo jihadista com ligações ao Estado Islâmico, estão a ser lançadas dúvidas sobre a sua autenticidade.

A gravação difere muito de outros vídeos de execuções do Estado Islâmico, mostrando apenas uma foto. Através da aparente locução de Goto, é anunciada a morte de Yukawa. Os militantes revelam também novas exigências, desistindo do resgate de 200 milhões de euros.

De acordo com a mensagem, diz a Agência Reuters, o grupo Estado Islâmico pretende agora trocar Goto por um dos seus membros detido na Jordânia.

A mãe de Goto, Junko Ishido, disse que no registo áudio nota que o filho está "nervoso" perante a proximidade da execução, acrescentando que "não pode estar otimista" quanto ao destino do filho.
Prazo de 72 horas
A organização jihadista tinha no dia 20 publicado um vídeo com os dois japoneses vestidos de cor de laranja, ajoelhados e ameaçados por um homem de pé vestido de negro.

No vídeo, o executor dava ao Governo japonês 72 horas para pagar 200 milhões de dólares ou os reféns seriam mortos. No entanto o prazo passou sem nenhuma novidade sobre o destino dos japoneses.

Só cerca das 16h00 GMT de sábado foi noticiada a execução de Yukawa, depois do Governo de Tóquio ter recusado pagar qualquer resgate.

Haruna Yukawa, um militar miliciano japonês de 43 anos, foi capturado na Síria em agosto de 2014, quando alegadamente dava treino a outro grupo jihadista rival do Estado Islâmico. A sua presença na Síria, para onde terá viajado com ajuda de Goto, não foi ainda totalmente explicada.

Viúvo e falido, depois do fracasso da sua empresa de aconselhamento militar da queal era o único fundionário, Yukawa passou tenmpos difíceis, chegando a viver como sem-abrigo. Aos amigos e família disse, antes de partir para a Síria, que esta viagem era a sua oportunidade para "mudar de vida".
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