João Paulo II não foi responsável pela queda do comunismo - Fidel Castro
O presidente cubano Fidel Castro afirmou quinta-feira que o Papa não foi responsável pela queda do comunismo na Europa de Leste, num discurso transmitido pela rádio e televisão, algumas horas antes das cerimónias fúnebres de João Paulo II.
"É certo que o Papa foi muito crítico em relação ao socialismo", mas após o desaparecimento da União Soviética também criticou o "sistema capitalista", afirmou chefe de Estado cubano.
Fidel Castro afirmou que não considera o Papa responsável pela queda do bloco soviético no início dos anos 1990 e que essa desagregação é imputável aos erros estratégicos e à forma como foram conduzidos os assuntos pelos responsáveis comunistas da época.
"Se um dia o comunismo acabar em Cuba esse facto terá de ser imputado a nós próprios", indicou Fidel Castro, de 78 anos, 46 dos quais no poder.
O presidente cubano relembrou que a visita histórica do Sumo Pontífice a Cuba, em Janeiro de 1998, provocou muitas reticências entre os responsáveis cubanos, já que estes consideravam que o "Papa desempenhou um papel político negativo (Ó) e que foi um agente do anti-socialismo e do anti-comunismo".
Esta visita, segundo Fidel Castro, foi vista pelos seus adversários, tanto em Cuba como no estrangeiro, como o fim da revolução.
Mas, "o Papa não tinha a intenção de abater a revolução", prosseguiu o máximo dirigente cubano, considerando que nessas circunstâncias "ninguém imaginava que a sua visita seria fácil, pensando que seria complexa".
Fidel Castro aproveitou ainda a ocasião para criticar o presidente norte-americano George W. Bush cuja presença nas cerimónias fúnebres do Papa "é um ultraje à memória de João Paulo II", que se opôs à guerra no Iraque e criticou o capitalismo.