João Paulo II, um homem idoso com uma saúde muito débil
O Papa João Paulo II, 84 anos, hospitalizado de urgência terça-feira à noite em Roma na sequência de problemas respiratórios, é homem idoso e frágil cujos problemas de saúde preocupam os médicos.
Desde que, num atentado a 13 de Maio de 1981 na praça de São Pedro, o Pontífice foi atingido por uma bala, a Igreja tem vindo a habituar-se a falar sobre o estado de saúde de João Paulo II e, sobretudo, a combater rumores sobre o assunto.
Cinco semanas após o atentado, João Paulo II foi novamente hospitalizado em consequência de uma infecção originada pela primeira intervenção cirúrgica.
Cerca de 10 anos depois, em Julho de 1992, o Papa foi operado, desta vez para extracção de um tumor benigno no cólon.
Desde essa altura, o estado de saúde do Sumo Pontífice da igreja católica tem sofrido um agravamento progressivo, tornando cada vez mais difícil o exercício do seu pontificado.
Em Novembro de 1993, João Paulo II foi operado a uma luxação na omoplata, após uma queda acidental, e, em Abril de 1994, foi de novo hospitalizado após ter fracturado o colo do fémur ao escorregar na casa de banho.
Na sequência deste acidente, o Pontífice - então com 74 anos - pareceu envelhecer acentuadamente, como acontece frequentemente em pessoas que sofrem este tipo de fractura.
No mesmo período manifestam-se os primeiros problemas ligados a uma apendicite.
No Natal de 1995, João Paulo II interrompeu precipitadamente a tradicional bênção "urbi et orbi" (à cidade e ao mundo), transmitida em directo por dezenas de televisões do mundo inteiro, depois de ter sentido uma náusea.
O agravamento dos sintomas obrigou o Pontífice a uma intervenção cirúrgica ao apêndice em Outubro de 1996 e, desde então, os sinais da doença de Parkinson, de que sofria há anos, começaram a ser mais visíveis.
A situação deteriorou-se ao ponto de, a partir de 2000, os medicamentos que tomava para debelar a doença começarem "a agir cada vez menos" e lhe permitirem "estar `capaz` apenas durante cerca de duas horas", de acordo com fonte do Vaticano.
Mesmo assim, o Vaticano tem tentado sempre desvalorizar os problemas de saúde do chefe da Igreja Católica.
As imagens de um Papa em sofrimento transmitidas para todo o mundo durante a sua viagem à Eslováquia, em 2003, forçaram os mais altos responsáveis da Igreja a admitir aquilo que se tinha tornado já evidente.
As cerimónias organizadas para o 25/o aniversário do seu pontificado, em Outubro de 2003, mostraram também João Paulo II visivelmente debilitado.
O Papa exerce hoje com dificuldade o seu pontificado e a sua saúde é já muito frágil.
João Paulo II é seguido em permanência por uma equipa médica que transporta um aparelho desfibrilador, uma garrafa de oxigénio e uma mala contendo bolsas de sangue congelado do tipo A-rh negativo.
Os médicos temem sobretudo uma hemorragia interna, uma flebite ou uma embolia pulmonar, já que João Paulo II mostra dificuldades crescentes em recuperar o fôlego após intervenções públicas.
Os doentes de Parkinson correm o risco de asfixia e de obstrução dos brônquios em caso de tosse.
No domingo, ao aparecer pela última vez em público para a oração do Angelus, João Paulo II tinha a voz rouca.
No dia seguinte, o Vaticano anunciava que o Papa estava com gripe e, na terça-feira, João Paulo II foi internado com problemas respiratórios.
Entretanto, o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, informou hoje ao início da tarde que João Paulo II ficará hospitalizado "vários dias", embora assegurando não existirem "razões para alarme".
Navarro-Valls adiantou que, durante a noite, "prosseguiram as terapias de assistência respiratória", que permitiram "estabilizar o quadro clínico".