João Pedro Cravid nomeado novo chefe das Forças Armadas são-tomenses
O Presidente da República são-tomense, Carlos Vila Nova, nomeou hoje o coronel João Pedro Cravid como o novo chefe de Estado-Maior das Forças Armadas de São Tomé e Príncipe.
"Sob proposta do Governo, a escolha dos conselheiros recaiu na pessoa do senhor João Pedro Cravid, coronel do exército no ativo e que reunia as condições para o exercício do cargo de chefe de Estado-Maior", afirmou o Presidente, no final da reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional.
João Pedro Cravid, que exerceu a função de juiz do Supremo Tribunal Militar, sucede a Olinto Paquete, que apresentou na quinta-feira a sua demissão após o assalto ao quartel-general militar do Morro.
O novo chefe das Forças Armadas frequentou o Palácio do Povo durante 10 anos, onde trabalhou como ajudante de campo do ex-presidente da República Miguel Trovoada.
Carlos Vila Nova discursou no final da reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional Extraordinário, que convocou "com caráter de urgência", após a demissão do cargo apresentada, na quinta-feira, por Olinto Paquete.
A reunião serviu para "avaliar a situação e proceder à nomeação do próximo chefe de Estado-Maior da Forças, evitando assim o período de vazio", segundo o Presidente.
Olinto Paquete pediu a demissão, denunciando "atos de traição" e condenando os "factos horrorosos" que envolveram a morte de quatro detidos após um ataque ao quartel-general militar.
Citando o pedido de demissão que remeteu a Carlos Vila Nova, o responsável militar afirmou que, perante o assalto ao quartel-general militar por "um grupinho de indivíduos à paisana, com ajuda de militares do exército", ocorrido na passada sexta-feira, a reação das Forças Armadas "foi pronta, mas demorada".
"O nosso objetivo era a preservação da vida, o que durante a operação foi conseguido. Os factos posteriores, inexplicáveis, horrorosos, comprometeram tudo de bom que foi feito", adiantou.
Na sequência do ataque ao quartel do Morro, quatro pessoas morreram em circunstâncias que estão sob investigação, e 16 foram detidas, incluindo 12 militares, uma ação condenada pela comunidade internacional.
O brigadeiro afirmou ter sido "informado com dados falsos" e reconheceu ter prestado "informações falsas à nação" sobre a morte dos quatro detidos, que tinha justificado antes com ferimentos causados por uma explosão, no caso dos três assaltantes, e, no caso do suposto mandante do ataque Arlécio Costa - detido após o ataque pelos militares - por se ter "atirado da viatura".
Entre os mortos está o antigo oficial do `batalhão Búfalo` Arlécio Costa, condenado em 2009 por tentativa de golpe de Estado, e apontado como suspeito de ser um dos mandantes do ataque juntamente com o ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves -- ambos detidos pelos militares nas suas respetivas casas.
Esta quarta-feira foram divulgados nas redes sociais vídeos que mostram um detido -- que viria a morrer --, deitado no chão, ensanguentado e com as mãos amarradas atrás das costas, a ser agredido por um militar com um pau, enquanto vários outros militares assistiam. Outras imagens mostram detidos deitados ou ajoelhados no terreiro do quartel, com as mãos amarradas e com ferimentos.
No próprio dia do ataque e nos dias seguintes foram amplamente disseminadas imagens dos homens com marcas de agressão, ensanguentados e com as mãos amarradas atrás das costas, ainda com vida, e também já na morgue.
O assalto foi classificado pelas autoridades são-tomenses como "uma tentativa de golpe de Estado" e condenado pela comunidade internacional.