Jogo cancelado. Israel queixa-se de "politização" da seleção argentina

É oficialmente uma pedra na engrenagem das relações entre a Argentina e Israel. Perante a notícia do cancelamento de um jogo amigável, em Jerusalém, entre as seleções dos dois países, decisão tomada em Buenos Aires na sequência de uma campanha do movimento Boicote, Desinvestimento, Sanções (BDS), contra a ocupação dos territórios palestinianos, a ala política mais dura do Estado hebraico queixa-se do que considera ser uma cedência a “vozes antissemitas”.

Carlos Santos Neves - RTP /
O presidente da Associação de Futebol da Palestina, Jibril Rajoub, em conferência deimprensa em Ramallah, na Cisjordânia Mohamad Torokman - Reuters

A decisão foi conhecida na terça-feira pela voz do vice-presidente da Associação de Futebol Argentino. Em declarações à emissora argentina Rádio 10, Hugo Moyano saiu em defesa da suspensão da partida que deveria ter lugar no próximo sábado em Jerusalém.

“Acho bem que se tenha suspendido o encontro. Fez-se o correto. Não valia a pena, perante o que se passa nestes lugares, onde se mata tanta gente. Somos seres humanos, não se pode aceitar de forma alguma. As famílias dos jogadores estavam a sofrer por causa das ameaças”, afirmou o responsável.Foi a ministra israelita do Desporto e Cultura quem selou a mudança do jogo de Haifa para Jerusalém, no âmbito das comemorações dos 70 anos da criação do Estado hebraico. Miri Reguev pretenderia que Lionel Messi, o astro da seleção argentina, beijasse o Muro das Lamentações.


Antes desta decisão, a ministra argentina da Segurança, Patricia Bullrich, ainda fez um apelo para que se separasse as questões político-diplomáticas do futebol, arguindo mesmo que o encontro amigável não poderia “ofender os palestinianos”, dado que Buenos Aires “reconhece o Estado palestiniano”.

Por sua vez, Susan Shalabi, diretora internacional da Associação de Futebol da Palestina, saudou a seleção argentina por ter decidido “não ser convertida em ferramenta política”.

O ministro israelita da Defesa, o falcão Avigdor Lieberman, veio entretanto criticar o que considerou ser uma cedência argentina a pressões por parte de “inimigos de Israel” e “vozes antissemitas”.

“É uma pena que as estrelas de futebol argentino tenham cedido à pressão dos inimigos de Israel, com o único objetivo de atingir o direito básico de Israel à autodefesa e causar a sua aniquilação. Não vamos ceder às vozes antissemitas e que apoiam o terrorismo”, reagiu o governante no Twitter.

Já esta quarta-feira foi a vez de o Presidente israelita, Reuvén Rivlin, manifestar inquietação com o cancelamento do jogo.

“É, na realidade, uma manhã triste para os adeptos, incluindo para os meus netos. Há valores que são mais altos do que Messi. A politização por parte da Argentina preocupa-me muito”, declarou Rivlin em comunicado.

“Mesmo nos momentos mais difíceis, fizemos sempre os possíveis para deixar fora do campo as considerações que não eram exclusivamente desportivas. É uma pena que a equipa da Argentina não tenha sido capaz de o fazer, desta vez”, rematou.

c/ agências internacionais
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