Jogos Olímpicos de Londres com crise de seguranças

A G4S, a segunda maior empresa de segurança do mundo e a maior do Reino Unido e Irlanda, só vai conseguir fornecer 7.000 dos 10.400 seguranças privados contratados para vigiar os Jogos Olímpicos de Londres. O escândalo está a provocar uma crise política no Reino Unido e o presidente executivo da empresa foi ouvido perante uma comissão parlamentar.

Graça Andrade Ramos, RTP /
A empresa de segurança G4S não vai ser capaz de cumprir o contrato com o governo britânico e fornecer os 10.400 agentes prometidos para os Jogos Olímpicos G4S

Nick Buckles explicou que a G4S esta com "falta de pessoal" e reconheceu que a situação é uma "confusão humilhante".

Há 11 dias, a empresa comentou à Agência Reuters que estava confiante e que poderia participar ao mesmo tempo noutro evento semelhante aos JO, se fosse necessário. Aparentemente, subestimou as necessidades de um evento do género.

Buckles disse que irá indemnizar a polícia e as forças militares que terão de fornecer os agentes em falta. A empresa irá perder pelo menos 50 milhões de libras do contrato de 284 milhões assinado em 2010.

Um porta-voz do governo de Cameron garante que a segurança durante os Jogos "não está comprometida" e o secretario da Cultura sublinhou que a questão do pagamento irá ser muito bem analisada após os Jogos Olímpicos.

O escândalo está também a por em causa as políticas orçamentais do governo. A G4S foi contratada pelo executivo britânico para fazer parte da segurança dos Jogos Olímpicos sob o argumento de que ficaria mais barata. Esta teoria está agora a ser fortemente contestada.
Tropa e polícias substituem falhas
A polémica rebentou na semana passada, quando se soube que milhares de seguranças da G4S não se haviam apresentado como previsto e que o governo ia suprir as falhas com 3,500 soldados extra, já tendo contactado também nove forças policiais britânicas para patrulhar as ruas.

O presidente da Federação Policial de Inglaterra e País de Gales, Paul McKeever, afirmou que o fiasco da G4S devia servir para alertar um governo que tem apostado nas empresas privadas para suprir necessidades em sectores públicos, devido aos cortes orçamentais ditados pela austeridade.

"Podem entregar o policiamento do país a empresas privadas, como planearam ao cortar 20% às polícias? Isso tem de ser cuidadosamente avaliado após os (Jogos) Olímpicos", afirmou Mc Keever à SkyNews.

"Sabemos que a G4S está a fornecer 10,000 seguranças por 300 milhões de libras - o mesmo montante que custariam 15,000 agentes de polícia - por isso ficamos espantados ao olhar para o que se está a passar agora", concluiu.
Falta de pessoal
A G4S diz que estão já ao serviço 4.200 pessoas e que outras 2.800 estarão disponíveis a tempo para a abertura dos JO, a 27 de junho de 2012. A empresa sabia que teria de contratar mais empregados e há uns meses afirmou que as candidaturas chegaram às 100 mil.

Hoje, Buckles afirmou perante a Comissão parlamentar britânica que a taxa de assiduidade dos funcionários da G4S ronda "os 90%" mas que o problema é a falta de pessoal.

Os Jogos Olímpicos já incluíam uma força de 13.500 soldados para patrulhar os recintos desportivos e participar em funções de desarmamento de explosivos e vigilância. Os soldados e polícias chamados a reforçar este contingente deverão controlar e revistar os espectadores junto aos recintos desportivos e reforçar o policiamento das ruas.
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