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Jornal do Partido Comunista Chinês adverte para "grave erosão" da ordem internacional

Jornal do Partido Comunista Chinês adverte para "grave erosão" da ordem internacional

Um editorial de um jornal do Partido Comunista Chinês advertiu hoje que a operação militar dos Estados Unidos, que resultou na captura do presidente venezuelano, representa uma grave erosão da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

Lusa /
Reuters

O Global Times denuncia a "subversão dos princípios fundamentais do direito internacional", incluindo a igualdade soberana, a não-ingerência nos assuntos internos dos Estados e a proibição do uso da força, ao permitir que "certos países decidam unilateralmente quem é culpado, quem deve ser punido e de que forma".

"Se tais práticas forem toleradas, o direito internacional será reduzido a uma ferramenta aplicada seletivamente, e o mecanismo coletivo de segurança estabelecido pela Carta das Nações Unidas será esvaziado", lê-se no editorial.

O jornal sublinha que a detenção e transferência de um chefe de Estado em funções, sem mandado claro das Nações Unidas, não é apenas uma violação da soberania de um país, mas um ataque direto à previsibilidade e à autoridade do direito internacional.

"O que está em causa não é apenas a segurança da Venezuela, mas o futuro da ordem jurídica internacional", escreve o jornal em língua inglesa, recordando que vários representantes expressaram preocupações semelhantes numa reunião do Conselho de Segurança da ONU.

O Global Times considera que a imposição da força sobre as regras multilaterais representa um retorno ao "estado de natureza" hobbesiano, onde os fortes ditam as regras.

"A esmagadora maioria dos países não deseja regressar a uma selva internacional regida pela lei do mais forte", afirma.

A publicação também critica o que classifica como "narrativas fabricadas" por Washington para justificar a operação, afirmando que substituir normas jurídicas por julgamentos políticos arbitrários apenas gera instabilidade global e enfraquece o sistema multilateral.

Pequim tem-se manifestado abertamente contra a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, afirmou esta semana que os EUA "pisotearam de forma arbitrária a soberania, a segurança e os direitos e interesses legítimos da Venezuela", apelando à libertação imediata de Maduro e da sua esposa.

 

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