Jornal moçambicano põe em dúvida local da morte de Eduardo Mondlane

O primeiro presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, foi morto na casa da secretária norte-americana da sua mulher e não no seu gabinete, noticia hoje o novo diário por fax Canal de Moçambique, na sua primeira edição.

Agência LUSA /

A notícia é a primeira a pôr em dúvida o local "oficial" do assassinato de Eduardo Mondlane, a 03 de Fevereiro de 1969, na capital da Tanzânia, Dar-es-Salam, geralmente atribuído à PIDE, a polícia política da ditadura portuguesa.

Os manuais de História leccionados no ensino moçambicano, redigidos na altura em que a FRELIMO governava o país em regime de partido único, referem que Mondlane morreu ao abrir um livro-bomba no seu escritório de trabalho, em Dar-es-Salam, onde o movimento que na altura lutava contra o colonialismo português tinha a sua sede.

A FRELIMO atribuiu desde logo o atentado à PIDE, mas o Canal de Moçambique refere que a polícia tanzaniana chegou a deter por algumas horas Joaquim Chissano, que na altura dos acontecimentos era secretário particular de Eduardo Mondlane, bem como Marcelino dos Santos e a mulher deste, Pamela.

Na ocasião foi também detida a norte-americana Betty King, secretária da mulher de Mondlane, Janet, igualmente norte-americana.

"A história que há 37 anos se ensina oficialmente aos moçambicanos e faz parte dos curricula escolares é falsa. É mentira. A verdade é outra. O primeiro presidente da FRELIMO morreu num edifício da secretária da esposa, em Oyster Bay, na capital tanzaniana", lê-se no Canal de Moçambique.

"Sim, confirmo que foi em casa de Betty King. Fui lá para ver o corpo", refere também o ex-presidente Joaquim Chissano, ouvido pelo jornal no dia 03 de Fevereiro, à saída da cripta dos heróis moçambicanos, onde estão guardados os restos mortais de Mondlane.

A data de 03 de Fevereiro, que evoca o assassinato de Mondlane, foi escolhida para dia dos heróis moçambicanos.

Segundo o jornal, a viúva de Eduardo Mondlane também confirmou que o seu marido morreu na casa da sua secretária Betty King, "onde ele ia passar os seus momentos de lazer".

A casa da secretária situava-se num bar residencial muito movimentado.

Na manhã da segunda-feira em que se deu o atentado, a residencial estava deserta, não se encontrando no seu interior nem Betty King nem a maioria dos empregados, mas apenas um trabalhador que serviu um chá a Mondlane, acrescenta o jornal.

Na sua primeira edição, o Canal de Moçambique assume-se como um jornal que tentará ser "um espaço aberto e novo na maneira de abordar o passado, de encarar o presente e de contribuir para o país".

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