Mundo
Jornalista britânica molestada sexualmente no Egito
Uma jornalista britânica afirma que foi sexualmente molestada na Praça Tahrir no Cairo, durante os festejos da eleição de Mohammed Morsi para a presidência do Egipto. Natasha Smith, que estava no Cairo com dois colegas a fazer um trabalho sobre as mulheres egípcias, diz que só pedia, "Deus faz com que isto pare".
A história foi contada em vários jornais britânicos e pela CNN, a quem a jornalista de multimedia concedeu uma entrevista após ter publicado o sucedido no seu blog, no dia 26 de junho de 2012.
Segundo Natasha Smith, a manifestação de júbilo à sua volta tornou-se "um horror" numa "fração de segundo" quando dezenas de homens excitados a arrastaram para longe dos seus dois colegas masculinos e começaram a agarra-la "cada vez com mais força".
"Meu Deus faz com que isto pare"
Natasha conta como perdeu a câmara e ficou rodeada de caras e de mãos, às dezenas, de homens "transformados em animais".
"Começaram a rasgar-me as roupas", afirmou ela à CNN. "Primeiro foi a minha saia e essa desapareceu logo e nem senti quando as minhas cuecas foram tiradas. Depois os meus sapatos e as roupas de cima foram-me simplesmente arrancados e isso doeu-me muito". No blog, Natasha conta que só sentia mãos a agarrá-la e a violá-la, cada vez mais agressivas.
Natasha lembra-se de alguns homens terem tentado ajudá-la mas conta que os outros eram demasiados. Primeiro uma tenda médica e depois outra, onde tentaram abrigá-la da confusão, colapsaram perante os atacantes. "Duas mulheres de burka olharam e desviaram a cara", lembra.
"Durante o assalto eu estava num estado estranho, desligado e só repetia mentalmente "por favor meu Deus, por favor faz com que isto pare. Por favor Deus, faz que isto pare!"
Refúgio numa tenda
Natasha foi salva pelo colega Callum Paton e outras pessoas, homens e mulheres, que, a muito custo, conseguiram afastar os homens e abrir um caminho na multidão para levar a jornalista até um lugar seguro: uma terceira tenda hospitalar, onde ela se refugiou.
Mas nem assim ela ficou logo a salvo. As dezenas de voluntários que foram buscá-la tiveram de formar um cordão à volta da tenda, impedindo os seus atacantes de a alcançar.
"Houve momentos em que pensei que ela ia morrer", conta um dos colegas, Callum Paton, agradecendo a quem se colocou em perigo para ajudar. Callum diz que viu Natasha ser arrastada nua, antes de um grupo de homens intervir.
"Se não tivesse estado um pequeno grupo de pessoas à minha volta, eu teria sido violada e morta", afirma Natasha. "Sem dúvida, porque era isso que os homens estavam a tentar fazer. Claramente, era o que estavam a querer fazer-me" conta Natasha, que já regressou a casa, na Grã-Bretanha.
"Não chore"
Uma ambulância, que tentou chegar até à tenda, foi igualmente invadida por dezenas de homens e Natasha só conseguiu sair dali após concordar cobrir-se com uma burka da cabeça aos pés e dar a mão a um egípcio desconhecido que fingiu ser seu marido.
"Não chore senão eles percebem. Aja normalmente", recomendou o homem. Mas não a levou a um hospital, apenas a uma rua mais calma onde a sentou no passeio e esperaram por Callum Paton. Alguém lhe ofereceu um Big Mac.
Callum e Natasha acabaram por chamar um táxi e foram para um hospital onde tentaram explicar o sucedido. Mas ninguém lhes deu muita atenção.
Tanto o médico que assistiu Natasha no hospital como um representante da embaixada britânica que foi ali vê-la corroboram toda a história.
"Um pretexto"
A jornalista britânica afirma que as mulheres que a ajudaram e protegeram disseram que o ataque "foi provocado por rumores espalhados por desordeiros, após uma campanha nacional a avisar para os perigos vindos de estrangeiros de que eu era uma espia".
"Mulheres árabes, mulheres muçulmanas rodearam-me a chorar e só diziam "isto não é o Egipto, isto não é o Egipto! Isto não é o islão! Estes são bandidos!" " contou Natasha à CNN.
"E eu respondi, "eu sei, eu amo o Egipto, eu sei que isto não é o islão, está bem. E elas ficaram espantadas, porque pensavam que eu ia estar tão cheia de ódio e de medo". Mas eu nunca culpei o Egipto pelo sucedido".
Para Natasha, a ser verdadeira, a razão invocada pelas mulheres foi apenas um pretexto. "Uma desculpa para violar uma jovem ocidental loira", afirma no blog.
Terceiro assalto sexual
Natasha afirma que, para si, o incidente não representa a sociedade egípcia. Mas este é o terceiro assalto a mulheres jornalistas ocidentais desde o início da revolta contra Mubarak.
Tanto a correspondente da CBS News, Lara Logan como a colunista egipto-americana Mona Eltahawy, que afirma ter sido atacada por agentes da polícia egípcia, foram sexualmente molestadas.
Natasha queixa-se igualmente da forma como foi tratada no hospital, pois a primeira coisa que o médico ali lhe perguntou foi se ela era casada e até a enfermeira ficou relutante em ajudá-la. O médico em questão diz que se trata de um "mal-entendido".
Natasha sublinha que o seu caso vai atrair as atenções por que ela é jovem, mulher e ocidental, e lamenta que haja muitos casos de mulheres molestadas sexualmente de quem nunca ninguém ouvirá falar.
Segundo Natasha Smith, a manifestação de júbilo à sua volta tornou-se "um horror" numa "fração de segundo" quando dezenas de homens excitados a arrastaram para longe dos seus dois colegas masculinos e começaram a agarra-la "cada vez com mais força".
"Meu Deus faz com que isto pare"
Natasha conta como perdeu a câmara e ficou rodeada de caras e de mãos, às dezenas, de homens "transformados em animais".
"Começaram a rasgar-me as roupas", afirmou ela à CNN. "Primeiro foi a minha saia e essa desapareceu logo e nem senti quando as minhas cuecas foram tiradas. Depois os meus sapatos e as roupas de cima foram-me simplesmente arrancados e isso doeu-me muito". No blog, Natasha conta que só sentia mãos a agarrá-la e a violá-la, cada vez mais agressivas.
Natasha lembra-se de alguns homens terem tentado ajudá-la mas conta que os outros eram demasiados. Primeiro uma tenda médica e depois outra, onde tentaram abrigá-la da confusão, colapsaram perante os atacantes. "Duas mulheres de burka olharam e desviaram a cara", lembra.
"Durante o assalto eu estava num estado estranho, desligado e só repetia mentalmente "por favor meu Deus, por favor faz com que isto pare. Por favor Deus, faz que isto pare!"
Refúgio numa tenda
Natasha foi salva pelo colega Callum Paton e outras pessoas, homens e mulheres, que, a muito custo, conseguiram afastar os homens e abrir um caminho na multidão para levar a jornalista até um lugar seguro: uma terceira tenda hospitalar, onde ela se refugiou.
Mas nem assim ela ficou logo a salvo. As dezenas de voluntários que foram buscá-la tiveram de formar um cordão à volta da tenda, impedindo os seus atacantes de a alcançar.
"Houve momentos em que pensei que ela ia morrer", conta um dos colegas, Callum Paton, agradecendo a quem se colocou em perigo para ajudar. Callum diz que viu Natasha ser arrastada nua, antes de um grupo de homens intervir.
"Se não tivesse estado um pequeno grupo de pessoas à minha volta, eu teria sido violada e morta", afirma Natasha. "Sem dúvida, porque era isso que os homens estavam a tentar fazer. Claramente, era o que estavam a querer fazer-me" conta Natasha, que já regressou a casa, na Grã-Bretanha.
"Não chore"
Uma ambulância, que tentou chegar até à tenda, foi igualmente invadida por dezenas de homens e Natasha só conseguiu sair dali após concordar cobrir-se com uma burka da cabeça aos pés e dar a mão a um egípcio desconhecido que fingiu ser seu marido.
"Não chore senão eles percebem. Aja normalmente", recomendou o homem. Mas não a levou a um hospital, apenas a uma rua mais calma onde a sentou no passeio e esperaram por Callum Paton. Alguém lhe ofereceu um Big Mac.
Callum e Natasha acabaram por chamar um táxi e foram para um hospital onde tentaram explicar o sucedido. Mas ninguém lhes deu muita atenção.
Tanto o médico que assistiu Natasha no hospital como um representante da embaixada britânica que foi ali vê-la corroboram toda a história.
"Um pretexto"
A jornalista britânica afirma que as mulheres que a ajudaram e protegeram disseram que o ataque "foi provocado por rumores espalhados por desordeiros, após uma campanha nacional a avisar para os perigos vindos de estrangeiros de que eu era uma espia".
"Mulheres árabes, mulheres muçulmanas rodearam-me a chorar e só diziam "isto não é o Egipto, isto não é o Egipto! Isto não é o islão! Estes são bandidos!" " contou Natasha à CNN.
"E eu respondi, "eu sei, eu amo o Egipto, eu sei que isto não é o islão, está bem. E elas ficaram espantadas, porque pensavam que eu ia estar tão cheia de ódio e de medo". Mas eu nunca culpei o Egipto pelo sucedido".
Para Natasha, a ser verdadeira, a razão invocada pelas mulheres foi apenas um pretexto. "Uma desculpa para violar uma jovem ocidental loira", afirma no blog.
Terceiro assalto sexual
Natasha afirma que, para si, o incidente não representa a sociedade egípcia. Mas este é o terceiro assalto a mulheres jornalistas ocidentais desde o início da revolta contra Mubarak.
Tanto a correspondente da CBS News, Lara Logan como a colunista egipto-americana Mona Eltahawy, que afirma ter sido atacada por agentes da polícia egípcia, foram sexualmente molestadas.
Natasha queixa-se igualmente da forma como foi tratada no hospital, pois a primeira coisa que o médico ali lhe perguntou foi se ela era casada e até a enfermeira ficou relutante em ajudá-la. O médico em questão diz que se trata de um "mal-entendido".
Natasha sublinha que o seu caso vai atrair as atenções por que ela é jovem, mulher e ocidental, e lamenta que haja muitos casos de mulheres molestadas sexualmente de quem nunca ninguém ouvirá falar.