Jornalista denuncia desvio de fundos por embaixador do país junto da ONU

O escritor e jornalista guineense João Carlos Gomes, residente nos Estados Unidos, pediu às autoridades da Guiné-Bissau a abertura de um inquérito para apurar o destino de 100 mil dólares entregues ao embaixador guineense Alfredo Lopes Cabral.

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Segundo uma carta do jornalista, publicada hoje no semanário guineense Gazeta de Notícias, os 100 mil dólares (cerca de 75 mil euros) foram entregues em Outubro de 2005 pelo antigo primeiro-ministro do país Carlos Gomes Júnior ao embaixador com o "objectivo de obter novas instalações para a reabertura da representação da Guiné-Bissau junto da ONU, em Nova Iorque".

O jornalista refere também que o dinheiro entregue pelo antigo primeiro-ministro previa a compra de três veículos de serviço para a embaixada.

"O facto de até agora, cerca de um ano e meio depois, ainda não existir nenhuma embaixada em Nova Iorque nem indicações de que a compra dos veículos em questão tenha sido efectuada, aponta para a possibilidade de um desvio dos fundos do Estado", acusa o jornalista no documento.

"Ao que parece, aproveitando-se da confusão gerada pelo período de transição entre a demissão do governo de Carlos Gomes Júnior e a nomeação do governo de Aristides Gomes (...) o embaixador Alfredo Lopes Cabral decidiu utilizar os fundos que lhe foram confiados para fins que ainda estão por explicar", acrescenta.

Sublinhando a necessidade da existência de uma representação diplomática em Nova Iorque, o jornalista afirma que é "imperativo que sejam pedidas explicações imediatas ao embaixador sobre o destino dado aos fundos que lhe foram confiados como oficial do governo".

"A ser confirmado, esta não seria a primeira vez que fundos destinados à prestação de serviços aos cidadãos da Guiné-Bissau nos Estados Unidos desapareciam sem deixar rasto", diz João Carlos Gomes.

O jornalista exorta ainda os seus "conterrâneos a começarem a agir da mesma maneira tanto nos Estados Unidos como em Lisboa, Dacar, Bruxelas" e na Guiné-Bissau "como única forma de pôr fim ao saque dos cofres do Estado" e a contribuir para "sanear a situação financeira vergonhosa e inexplicável em que o país se encontra".

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