Jornalistas de Genebra organizam conferência internacional em defesa de Julian Assange

por RTP
EPA

O Clube de Imprensa de Genebra agendou para dia 22 de junho, às 11h locais uma conferência contra a extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. Uma ampla aliança em defesa da liberdade de imprensa vai tomando forma em torno da conferência e reclama da Suíça a concessão do estatuto de refugiado ao jornalista australiano.

O Clube de Imprensa de Genebra lembra na convocatória que a luz verde dada pela ministra britânica do Interior, Priti Patel, para a extradição de Assange está muito longe de ter posto fim à batalha judicial, visto que a questão voltará agora às mãos dos tribunais. A batalha judicial poderá ainda durar vários meses mas, lembra o Clube de Imprensa, por cada dia que passa torna-se mais premente o perigo de ser deportado um jornalista que não está condenado por qualquer crime.

Os organizadores da conferência lembram ainda que o único crime imputado a Assange, e pelo qual poderá ser condenado nos Estados Unidos numa pena de prisão de até 175 anos, é o de "ter publicado documentos classificados revelando crimes de guerra no Iraque e no Afeganistão". 

Enquanto o fundador da plataforma digital Wikileaks luta pela sua liberdade, e pela liberdade de imprensa, recorda-se ainda, os culpados dos ditos crimes de guerra continuam em liberdade e sem terem de responder pelos delitos que cometeram. 

Se a maior parte das autoridades norte-americanas tenazmente empenhadas em obterem a deportação de Assange preferiu manter um perfil baixo e discreto, esperando que passasse o vendaval de protestos contra a decisão de Patel, uma voz pelo menos não desdenhou de vir a público aplaudir a ministra britânica: a do ex-secretário de Estado e presidente da CIA Mike Pompeo, que se felicitou no tweet por ficarem desta feita mais protegidos os autores das acções criminosas denunciadas por Assange.
Os subscritores do apelo à conferência, pelo contrário, sublinham as consequências devastadoras que a extradição de Assange poderia ter para a liberdade de imprensa e, em particular, para o jornalismo de investigação, por abrir a porta à perseguição de qualquer utilização de documentos classificados ou secretos.

Entre as vozes que protestaram contra a decisão de extraditar Assange, incluem-se organizações de jornalistas da Austrália e do Reino Unido, a Amnistia Internacional, um deputado e um ex-primeiro-ministro australiano, o ex-presidente brasileiro Lula da Silva, o líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon e outros.
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