Jornalistas detidos nos Camarões ao investigarem deportação de africanos dos EUA diz ONG

Jornalistas detidos nos Camarões ao investigarem deportação de africanos dos EUA diz ONG

Quatro jornalistas que investigavam nos Camarões a detenção de requerentes de asilo africanos deportados dos Estados Unidos foram detidos, num "ataque grave e inaceitável à liberdade de imprensa", afirmou hoje a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF).  

Lusa /

Num comunicado enviado hoje à AFP, a RSF deu conta da detenção dos quatro jornalistas "durante várias horas" na terça-feira, "com interrogatórios e confisco de equipamento", na sede da polícia judiciária na capital, Yaoundé. 

Segundo a ONG, que denunciou "um ataque grave e inaceitável à liberdade de imprensa", os jornalistas estavam a investigar "a detenção nos Camarões de requerentes de asilo africanos deportados dos Estados Unidos". 

"Estes atos de intimidação destabilizam ainda mais um ambiente mediático já marcado por pressões e abusos recorrentes", condena a RSF. 

Oito imigrantes africanos - oriundos do Senegal, Serra Leoa e Etiópia - chegaram na segunda-feira aos Camarões, após terem sido deportados dos Estados Unidos. 

Joseph Fru Awah, advogado que representa vários destes indivíduos e que estava com os quatro jornalistas, foi também detido na terça-feira, informou o New York Times. 

Os Camarões juntam-se, assim, à lista de países africanos que aceitaram acolher cidadãos de países terceiros deportados pelo governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, seguindo os passos do Gana, Essuatíni, Ruanda, Guiné Equatorial e Sudão do Sul. 

Não foi divulgado qualquer acordo entre os Camarões e os Estados Unidos que regule estas transferências, ao contrário dos assinados com a Guiné Equatorial e o Ruanda. 

Segundo informações publicadas pelo The New York Times no sábado, estas deportações para os Camarões estão a ocorrer ao abrigo de um acordo secreto entre Yaoundé e Washington.  

Um voo semelhante, transportando nove africanos deportados dos Estados Unidos, aterrou em Yaoundé a 14 de janeiro, segundo o jornal norte-americano. 

Os Camarões são governados com mão de ferro há mais de 43 anos pelo Presidente Paul Biya, de 93 anos. 

O país da África Central ocupa a 131ª posição entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2025, elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). 

O assassinato, em 2023, do jornalista Martínez Zogo, especializado em denunciar a corrupção, provocou indignação e protestos públicos no país. 

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