José Pinheiro, dos bastidores dos Pink Floyd aos filmes com Alain Delon

Paris, 05 nov (Lusa) - José Pinheiro é um homem da rádio, do cinema e da televisão que, de português, só tem o sangue paterno e - como afirma - "o olhar", o mesmo com que assegura, entusiasmado, ter sido concebido no furor da libertação de Paris.

Lusa /

Nasceu a 13 de junho de 1945, poucos dias depois do final da II Guerra Mundial na Europa, cerca de um ano após a libertação da capital francesa do jugo nazi, recorda.

Hoje, aos 69 anos, não olha para o documentário "Pink Floyd: Live at Pompeii", que editou, no início da carreira, com a nostalgia de quem recorda ter produzido uma obra pioneira da indústria musical. A banda britânica de rock progressivo foi apenas um entre muitos nomes sonantes a cruzarem o seu caminho, tais como os atores Alain Delon e Jeanne Moreau, o fotógrafo Raymond Depardon ou o estilista Yves Saint-Laurent.

José Pinheiro entrou no cinema graças à rádio, onde começou como técnico de som e sonorizador, na Radio Monte Carlo, em Paris, tendo conhecido "todo o tipo de pessoas" que lhe deram vontade de trabalhar na sétima arte.

Começou como editor dos primeiros documentários do fotógrafo e realizador francês Raymond Depardon, tendo montado "Ian Palach" (1969), "Les Révolutionnaires du Tchad" (1970), "Yemen: Arabie Heureuse" (1973) e "Tibesti Too" (1976).

Depois, trocou a edição pela realização e o documentário pela ficção, com o primeiro filme, "Family Rock", rodado em 1982, a ser selecionado para uma secção paralela do Festival de Cannes.

"Parole de Flic" (1985) marca o início da colaboração com Alain Delon, com quem rodou também "Ne Réveillez pas un flic qui dort" (1988) e, ainda, duas séries televisivas - "Fábio Montale" (2002) e "Le Lion" (2003).

Desses tempos ficou "uma ligação muito forte, de gratidão e afeição" ao ator, diz.

Pelo caminho, montou um filme para Yves Saint-Laurent, da fotógrafa Martine Barra, "um filme atípico que deixou furioso Pierre Bergé", companheiro e sócio do costureiro, e em que descobriu que, na casa do génio da alta-costura, "era bar aberto" para quem se quisesse servir da "saladeira de cocaína" (ressalvando, José Pinheiro, que as drogas nunca o atraíram).

Antes de entrar na televisão, filmou, ainda, "La Femme fardée" (1990), com Jeanne Moreau, André Dussolier e o filho de Alain Delon, Anthony Delon.

A partir dos anos de 1990, deixou-se seduzir pelo pequeno ecrã e fez várias séries e minisséries televisivas, entre as quais se contam "Navarro" e "Comissário Moulin", dirigidas nos últimos anos.

Em 1998, fez o vídeo que acompanhou "Toda a gente sabe que te amo", dos Delfins.

"Fauves", filme de 2012, é a produção mais recente para televisão.

Atualmente, o realizador concentra-se na escrita de argumentos e na procura de novos desafios.

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