Mundo
Jovem ativista ateou nova polémica na Tunísia da primavera árabe
O fervor religioso acendeu uma polémica na Tunísia à volta de uma jovem de 19 anos que pretendia formar no país uma extensão da Femen, o grupo de ucranianas que usa o corpo nu para fazer as suas lutas cívicas. Amina Tyler criou recentemente uma página na rede social Facebook onde colocou fotos com frases “O meu corpo pertence-me” e “F**a-se a vossa moral” sobre o peito nu. Foi internada num hospital psiquiátrico. Esta quinta-feira, a Femen realizou uma ação para alertar para a situação de Amina em várias capitais europeias. Mas da Tunísia chega um contra-protesto de mulheres muçulmanas.
O fervor religioso espoletou essa polémica na Tunísia à volta da jovem de 19 anos que pretendia formalizar uma extensão do grupo ucraniano - formado quase exclusivamente por mulheres - que usa o corpo nu para realizar protestos que vão desde a política e direitos humanos à liberdade de expressão ou contra a guerra.
Amina Tyler havia criado recentemente uma página na rede social Facebook onde colocou fotos suas com as frases “O meu corpo pertence-me” e “F**a-se a vossa moral” sobre o peito nu. Os guardiões da sharia começaram por falar em castigos de 100 chicotadas mas, dada “a gravidade” dos actos de Amina, o mais apropriado – defendem – seria a morte por apedrejamento.
“Os seus atos poderão originar uma epidemia. Pode tornar-se contagioso e dar ideias às outras mulheres. É portanto necessário isolar, conter [este episódio]. Desejo que ela possa curar-se”, declarou Almi Adel, sacerdote que está à frente da Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício na Tunísia, uma espécie de comité que vigia a observância da sharia, lei sagrada do Corão. Para já, a ativista foi internada compulsivamente num hospital psiquiátrico.
Femen
O grupo foi fundado na Ucrânia por estudantes universitárias entre os 18 e os 20 anos em 2008. Conta agora com centenas de elementos, entre os quais dezenas que usam a nudez ou o topless para protestar. As suas causas vão desde a oposição ao turismo sexual , sexismo, guerra, opressão religiosa ou violência contra as mulheres.
Femen lembra luta de Amina
Um protesto da Femen marcou esta quinta-feira encontro com a religião e a moral em várias capitais da Europa, escolhendo pontos com ligação à Tunísia e aos alicerces muçulmanos do país (mesquitas e centros religiosos). Chamaram-lhe “Topless Jihad Day”.
Dezenas de activistas femininas por todo o Velho Continente despiram a camisola para exibir o descontentamento e apoiar Amina Tyler, cujo paradeiro é neste momento desconhecido.
Mas a figura da jovem tunisina que diz ser dona do seu próprio corpo não reúne consenso total, pelo menos na Tunísia. Um grupo muçulmano pelos Direitos Humanos das mulheres acaba de lançar um contra-protesto - “Muslimah Pride Day” - com o qual pretende condenar o modus operandi da Femen.
Um grupo de fervorosos hackers muçulmanos já tinha atacado a página de Amina nas redes sociais. Uma página que entretanto terá sido apagada pelas autoridades tunisinas, cortando todo o contacto da jovem ativista com o grupo Femen e com o mundo exterior. Refere Sofia Ahmed, organizadora desta ação, que “o orgulho muslimah (mulher muçulmana) tem a ver com a ligação à identidade muçulmana e o esforço para recuperar a voz coletiva [enquanto] a Femen usa a mulher muçulmana para reforçar o imperialismo ocidental”.
Uma opinião que se opõe àquela de Alexandra Schevchenko, do grupo com sede na Ucrânia.
Esta ativista lembrava durante a jornada de luta de ontem, em Berlim, que “nós somos livres. Nós estamos nuas. É um direito nosso. É o nosso corpo. São as nossas regras e ninguém pode deitar mão da religião, ou quaisquer outros elementos sagrados, para para violentar as mulheres, para as oprimir”.
Amina Tyler havia criado recentemente uma página na rede social Facebook onde colocou fotos suas com as frases “O meu corpo pertence-me” e “F**a-se a vossa moral” sobre o peito nu. Os guardiões da sharia começaram por falar em castigos de 100 chicotadas mas, dada “a gravidade” dos actos de Amina, o mais apropriado – defendem – seria a morte por apedrejamento.
“Os seus atos poderão originar uma epidemia. Pode tornar-se contagioso e dar ideias às outras mulheres. É portanto necessário isolar, conter [este episódio]. Desejo que ela possa curar-se”, declarou Almi Adel, sacerdote que está à frente da Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício na Tunísia, uma espécie de comité que vigia a observância da sharia, lei sagrada do Corão. Para já, a ativista foi internada compulsivamente num hospital psiquiátrico.
Femen
O grupo foi fundado na Ucrânia por estudantes universitárias entre os 18 e os 20 anos em 2008. Conta agora com centenas de elementos, entre os quais dezenas que usam a nudez ou o topless para protestar. As suas causas vão desde a oposição ao turismo sexual , sexismo, guerra, opressão religiosa ou violência contra as mulheres.
Femen lembra luta de Amina
Um protesto da Femen marcou esta quinta-feira encontro com a religião e a moral em várias capitais da Europa, escolhendo pontos com ligação à Tunísia e aos alicerces muçulmanos do país (mesquitas e centros religiosos). Chamaram-lhe “Topless Jihad Day”.
Dezenas de activistas femininas por todo o Velho Continente despiram a camisola para exibir o descontentamento e apoiar Amina Tyler, cujo paradeiro é neste momento desconhecido.
Mas a figura da jovem tunisina que diz ser dona do seu próprio corpo não reúne consenso total, pelo menos na Tunísia. Um grupo muçulmano pelos Direitos Humanos das mulheres acaba de lançar um contra-protesto - “Muslimah Pride Day” - com o qual pretende condenar o modus operandi da Femen.
Um grupo de fervorosos hackers muçulmanos já tinha atacado a página de Amina nas redes sociais. Uma página que entretanto terá sido apagada pelas autoridades tunisinas, cortando todo o contacto da jovem ativista com o grupo Femen e com o mundo exterior. Refere Sofia Ahmed, organizadora desta ação, que “o orgulho muslimah (mulher muçulmana) tem a ver com a ligação à identidade muçulmana e o esforço para recuperar a voz coletiva [enquanto] a Femen usa a mulher muçulmana para reforçar o imperialismo ocidental”.
Uma opinião que se opõe àquela de Alexandra Schevchenko, do grupo com sede na Ucrânia.
Esta ativista lembrava durante a jornada de luta de ontem, em Berlim, que “nós somos livres. Nós estamos nuas. É um direito nosso. É o nosso corpo. São as nossas regras e ninguém pode deitar mão da religião, ou quaisquer outros elementos sagrados, para para violentar as mulheres, para as oprimir”.