Jovem de origem cabo-verdiana nomeada para Prémio Internacional da Paz para as Crianças

Jovem de origem cabo-verdiana nomeada para Prémio Internacional da Paz para as Crianças

A jovem de origem cabo-verdiana residente no Reino Unido Lauryn Rose Teixeira, de 13 anos, é uma das finalistas do Prémio Internacional da Paz para as Crianças da Fundação KidsRights.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A nomeação reconhece o percurso de Lauryn no ativismo antirracista, na promoção da diversidade na literatura infantil e no trabalho humanitário desenvolvido em Cabo Verde, nomeadamente via iniciativas de doação de livros e de apoio a crianças em situação de vulnerabilidade.

Lauryn "tornou-se consciente da frequência com que as vozes das crianças, sobretudo das crianças negras, não são ouvidas" e "decidiu usar a sua própria história para ajudar outras crianças a sentirem-se vistas e seguras", lê-se no `site` da Fundação.

Nascida no Reino Unido, de mãe cabo-verdiana e pai são-tomense, Lauryn Teixeira escreveu o livro "Lauryn - Esta sou eu" aos 9 anos, em 2022.

No livro fala sobre as suas origens, cultura e história pessoal, nomeadamente do pai, que abandonou a família durante a pandemia de covid-19.

O livro recebeu várias distinções nacionais e internacionais, entre estas um prémio de Inclusão e Diversidade da Assembleia Municipal de Londres, em maio, por "promover a narrativa inclusiva e desafiar os estereótipos sobre o cabelo afro e a identidade negra".

A mãe, Cristina Cabral, disse à agência Lusa que a candidatura decorreu de um processo "exigente e rigoroso", que incluiu uma entrevista por videochamada e a apresentação de evidências do impacto do trabalho da jovem. 

A candidatura foi depois avaliada por um painel de peritos, que selecionou Lauryn Teixeira, que aparece entre 30 crianças destacadas dos 250 nomeados para a 22.ª edição do prémio na página da Fundação.

O International Children`s Peace Prize, designado informalmente como o "Nobel da Paz das Crianças`, distingue jovens ativistas com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, cujo trabalho tenha produzido um impacto concreto na defesa dos direitos das crianças a nível local, nacional ou global.

Entre os antigos vencedores do galardão constam a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, distinguida em 2013, e a ativista climática sueca Greta Thunberg, premiada em 2019.

A nomeação de Lauryn Teixeira foi recomendada pela associação ACRIDES, em Cabo Verde, com quem a jovem tem feito trabalho, visitando escolas, organizações comunitárias e participou em oficinas com grupos de crianças. 

"Através da sua história inspiradora como jovem autora multilingue, ela encorajou as crianças a acreditarem no seu próprio potencial e a usarem as suas vozes para promover mudanças positivas nas suas comunidades", lê-se na carta de recomendação.

No ano passado, a vencedora foi a síria Bana Alabed, de 15 anos, reconhecida por dar voz às crianças em zonas de guerra, partilhando as suas experiências de guerra por meio de diários, blogues e redes sociais.

A adolescente, que sobreviveu ao cerco da cidade de Alepo, em 2016, recebeu o prémio das mãos da ativista dos direitos humanos iemenita e Prémio Nobel da Paz 2011, Tawakkol Karman.

A cerimónia de entrega do Prémio de 2026 está agendada para 19 de novembro às 14:30.

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