Jovem mata 16 pessoas em ataque a escola na Alemanha

Um antigo estudante entrou esta manhã na escola secundária em Winnenden, no Sudoeste da Alemanha, para varrer a tiros duas salas de aula, atirando indiscriminadamente sobre alunos e professores. Apanhado a 40 quilómetros do local e abatido pela polícia, Tim Kretschmer, de 17 anos, deixava para trás 16 mortos, entre estudantes, professores e pessoas que com ele se cruzaram durante a fuga.

Paulo Alexandre Amaral, RTP /
Os estudantes alvejados teriam 14 e 15 anos Marijan Murat, EPA

Tim K., como está a ser referido pelas autoridades policiais alemãs, entrou cerca das 9.30 locais (8.30 GMT) na escola secundária Alberville de Winnenden, pequena cidade vizinha de Estugarda com 27 mil habitantes.

Vestido com uniforme militar negro, Tim K., que no ano passado completou os estudos liceais naquele liceu, escolheu duas das salas de aula do edifício de dois andares e abriu fogo indiscriminadamente com uma arma que pertenceria à colecção mantida pelo seu pai. Nove alunos e três professores tiveram morte imediata no local.

Uma rapariga veio a falecer horas depois no hospital para onde foi conduzida com ferimentos graves.

Uma testemunha afirmou que "o assaltante simplesmente abriu fogo em redor".

Quando abandonava o local, o jovem homicida alvejou ainda mortalmente um transeunte com quem se cruzava na fuga. Apoderou-se depois de um carro, deixando sair os ocupantes, e com o qual encetou uma fuga que apenas teria fim 40 quilómetros depois.

Entretanto, a polícia tomava medidas de contingência, evacuando a escola de um milhar de alunos e activando os mesmos procedimentos de segurança para todos os jardins-de-infância e escolas num raio de 20 quilómetros.

"Ele entrou na escola com uma arma e provocou um banho de sangue", declarou o chefe da polícia local, Erwin Hetger, depois de inspeccionar a cena do crime. "Nunca tinha visto nada assim em toda a minha vida", acrescentou.

Equipas de resgate, bombeiros e membros das operações especiais tomavam então conta da cena do crime enquanto era posta em marcha a perseguição ao adolescente. O suspeito foi então procurado por equipas cinotécnicas e helicópteros, vindo a ser encurralado a 40 quilómetros da escola.

Durante a troca de tiros com as equipas da polícia alemã, antes de ser abatido, o homicida matou ainda duas pessoas que se encontravam nas imediações e feriu com gravidade dois agentes.

Mais tarde, em buscas posteriores a casa dos pais de Tim K., a polícia encontrou uma colecção de 18 armas que era propriedade do seu pai. Terá sido com uma peça dessa colecção que o jovem de 17 anos levou a cabo "o banho de sangue" na escola secundária de Winnenden.

Outros episódios de violência com armas de fogo

Para a história fica o facto de o antigo estudante dos arredores de Estugarda ter igualado em números um anterior episódio sangrento que ocorreu no país em 2002.

Há sete anos, um adolescente de 19 anos, Robert Steinhaeuser, alvejou mortalmente 12 professores, uma secretária, dois estudantes e um agente da polícia, antes de se suicidar, tiroteio que ocorreu nas instalações da escola secundária de Erfurt, no Leste do país.

Outro episódio violento ocorreu há três anos no Oeste da Alemanha. Um homem com uma máscara e munido de explosivos entrou numa escola de Emsdetten, ferindo 11 pessoas antes de colocar um fim à própria vida.

Chanceler Merkel chocada com novo episódio violento

Dirigindo-se à nação através do seu porta-voz, a chanceler Angela Merkel qualificou inconcebível um massacre desta natureza. De acordo com Ulrich Wilhelm, Merkel estava "profundamente chocada e horrorizada".

Mais tarde, a chanceler alemã dirigiu-se à nação através da televisão, para reafirmar o pesar já manifestado.

"Como toda a gente na Alemanha estou horrorizada, consternada e estupefacta como o que se passou na escola Alberville de Winningen", declarou Angela Merkel, para assegurar todo o apoio federal às autoridades locais que devem agora lidar com este caso.

"É um dia de luto por toda a Alemanha", afirmou a líder do país, ao indicar que os seus pensamentos e orações estavam com os familiares das vítimas.

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