Jovens alemães convocam protesto nacional contra cortes orçamentais e reforço do serviço militar

Jovens alemães convocam protesto nacional contra cortes orçamentais e reforço do serviço militar

Os jovens alemães vão manifestar-se no sábado em mais de 20 cidades do país contra o aumento do custo de vida, os cortes orçamentais na educação e nos serviços sociais e os planos governamentais de reforço do serviço militar.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Lisi Niesner - Reuters

As ações de protesto estão a ser convocadas pelos movimentos "GenZ regelt" e "GenZ steht auf" ("A Geração Z manda" e "A Geração Z levanta-se", na tradução em português), que apelam a uma política de maior investimento na educação, na saúde e na proteção social, em vez de cortes que, segundo os organizadores da iniciativa, penalizam sobretudo as gerações mais jovens.

Nos últimos dias, mais de 140 mil pessoas tinham manifestado `online` a intenção de participar nos protestos, de acordo com os organizadores, que anunciaram ações em 23 cidades alemãs.

As maiores concentrações estão previstas para Berlim, Hamburgo, Munique, Frankfurt e Colónia. Apesar deste interesse manifestado nas redes sociais, é neste momento impossível antecipar o número de participantes que estará efetivamente nas ruas.

"Somos jovens que já não querem assistir a decisões sobre o nosso futuro sem que sejamos ouvidos", afirmaram os organizadores num manifesto citado pela imprensa alemã.

O movimento de contestação defende também condições de vida mais acessíveis e opõe-se às alterações ao serviço militar, nomeadamente à possibilidade de os jovens serem chamados a participar em conflitos sobre os quais não tiveram influência.

Esta mobilização na Alemanha surge na sequência de protestos de jovens em França e noutros países europeus, onde manifestações contra o aumento do custo de vida e a degradação dos serviços públicos e do setor da educação degeneraram, em alguns casos, em confrontos com a polícia e atos de vandalismo.

Os organizadores alemães distanciam-se da violência e sublinham que pretendem realizar ações pacíficas.

A Conferência Federal de Alunos apoia várias das reivindicações, nomeadamente o investimento na educação, mas alertou para o risco de a mobilização ser aproveitada por outros grupos.

A organização considera que as reivindicações dos jovens podem acabar por ficar em segundo plano caso os protestos sejam marcados por confrontos ou instrumentalização política, segundo declarações divulgadas pela imprensa alemã.

As autoridades federais e regionais estão a acompanhar os apelos e a preparar operações policiais.

O Ministério do Interior indicou que os serviços de segurança estão a realizar avaliações de risco em articulação com parceiros europeus e a monitorizar páginas e canais nas redes sociais onde possam surgir apelos à violência.

O presidente da União da Polícia (GdP), Jochen Kopelke, disse ao diário alemão RND que receia que os protestos possam ser aproveitados para provocar distúrbios.

"Parto do princípio de que estas manifestações serão usadas para causar desacatos", sustentou, apontando também dúvidas sobre a organização do movimento.

Em várias cidades, as forças policiais anunciaram uma presença reforçada.

Em Estugarda, a polícia indicou que os organizadores se têm distanciado da violência e apelado a protestos pacíficos, posição que a corporação disse saudar.

As autoridades alertaram, contudo, que existem outros apelos à violência e que a possibilidade de distúrbios continua a ser avaliada.

A coincidência das manifestações com a noite de Halloween é também apontada pelas autoridades como um fator que poderá tornar mais complexa a gestão da segurança, devido à utilização de máscaras e artigos pirotécnicos.

Em Berlim, está prevista uma concentração junto à Porta de Brandemburgo, a partir das 14:00 locais (13:00 em Lisboa). A polícia da capital alemã anunciou uma operação reforçada para acompanhar as manifestações e proteger os participantes, bem como eventuais alvos vulneráveis.

O debate em torno dos protestos tem dividido responsáveis políticos. Enquanto alguns conservadores alertam para a possibilidade de grupos extremistas se juntarem às manifestações, outros partidos sublinham o direito dos jovens a protestar e a exigir respostas para os problemas que afetam o seu futuro.

A mobilização ocorre num contexto de pressão sobre os serviços públicos, dificuldades económicas e debate sobre o reforço das capacidades militares da Alemanha. Os organizadores afirmam que querem colocar as preocupações da geração mais jovem no centro da discussão política.

 

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