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Jovens moçambicanos pedem redução dos poderes do PR para travar nomeações na justiça

Jovens moçambicanos pedem redução dos poderes do PR para travar nomeações na justiça

Um grupo de 1.561 jovens moçambicanos pediu a redução dos poderes de nomeação do Presidente da República, para assegurar separação de poderes e travar a indicação de titulares para órgãos de justiça, de acordo com um relatório.

Lusa /

Segundo o documento, que auscultou jovens em três províncias de Moçambique no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, de pacificação do país, a medida visa ainda assegurar que não seja responsabilidade do Presidente da República nomear reitores das universidades públicas.

O grupo defende a redução dos poderes de nomeação do chefe de Estado, para assegurar a separação de poderes e impedir a indicação de titulares para os órgãos de justiça, segundo o relatório citado pela Lusa.

"Redução dos poderes de nomeação do Presidente da República, de modo a garantir a separação efetiva de poderes, impedindo que o Chefe de Estado nomeie diretamente os reitores das universidades públicas, os presidentes dos tribunais e o Procurador-Geral da República", refere o documento, que apresenta uma lista de 12 recomendações submetidas à Comissão Técnica para o Diálogo Nacional (Cote), criada para operacionalizar este processo de consulta, que decorre em todo o país e no exterior desde setembro.

Segundo a recomendação, com a redução dos poderes de nomeação do Presidente da República, o processo de eleições dos titulares dos órgãos de justiça passaria por mecanismos mais participativos e com maior influência dos próprios coletivos. 

"Os cargos serão escolhidos de forma mais técnica e menos sujeita a interesses políticos", acrescenta o coletivo de jovens.

As perceções dos jovens foram colhidas entre os meses de outubro e dezembro de 2025, nas províncias de Maputo, Sofala e Nampula, através de workshops, inquéritos estruturados, oficinas participativas e conferências.

De acordo com as conclusões do documento, as contribuições da juventude não se limitam a reivindicações abstratas, mas apresentam uma leitura crítica e informada sobre os desafios estruturais do país, bem como propostas viáveis para reformas constitucionais, institucionais e de governação.

"As contribuições sistematizadas revelam uma forte demanda por mudanças profundas nos modelos de governação, na distribuição e exercício do poder político, na inclusão efetiva dos jovens nos espaços de tomada de decisão e na criação de oportunidades económicas sustentáveis", refere.  

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, promulgou em abril a lei relativa ao Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo, aprovada dias antes no parlamento, com base no acordo com os partidos políticos, assinado em 05 de março, para ultrapassar a violência e agitação social que se seguiu às eleições gerais de outubro de 2024, em que morreram, em cerca de cinco meses, mais de 400 pessoas.

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