Juiz colombiano levanta suspensão de bombardeamentos contra campos de guerrilheiros
Um juiz levantou esta quarta-feira a suspensão geral dos bombardeamentos contra campos de guerrilheiros na Colômbia, mas exigiu "vigilância acrescida" sempre que existam informações sobre a presença de menores recrutados.
A 02 de setembro um juiz de Bogotá tinha ordenado a suspensão temporária das operações aéreas contra campos rebeldes em todo o país.
Segundo uma nova decisão consultada pela agência France-Presse, foi agora autorizada a retoma das operações, mas com "vigilância acrescida" quando "existam informações certas, objetivas ou razoavelmente verificáveis sobre a presença de crianças ou adolescentes" recrutados.
As operações aéreas permanecem, contudo, suspensas na Amazónia e em Guaviare, bastião da guerrilha, enquanto se aguarda a decisão de um juiz regional num processo distinto.
O recrutamento de menores é prática comum na Colômbia, onde organizações criminosas recorrem às redes sociais para os atrair. Em 2025, foram registados 428 casos, segundo o Defensor do Povo, que sublinha que os menores são "vítimas".
"As autoridades devem estabelecer critérios para os bombardeamentos em conformidade com o direito internacional humanitário", declarou à AFP Jimmy Borda, advogado que apresentou recurso contra o Governo.
Desde a entrada em funções, no início de agosto, do Presidente de direita Abelardo de la Espriella, o exército colombiano realizou três bombardeamentos que provocaram pelo menos 42 mortos, incluindo seis menores, na Amazónia e na fronteira com a Venezuela.
Abelardo prometeu esmagar os grupos armados envolvidos no narcotráfico com o apoio dos Estados Unidos, que têm colaborado nas operações militares.
Washington confirmou esta quarta-feira a decisão de retirar à Colômbia o estatuto de aliado na luta contra a droga, mantendo, no entanto, a ajuda e saudando os esforços recentes do Governo contra o narcotráfico.
Menores também perderam a vida em bombardeamentos militares durante os governos do presidente de esquerda Gustavo Petro (2022-2026) e do presidente de direita Iván Duque (2018-2022).