Juiz suspende julgamento de militar EUA acusada de sevícias a detidos
O juiz que preside ao processo, em tribunal marcial, da militar norte-americana Lynndie England, acusada de maus-tratos a iraquianos detidos na prisão de Abu GHraib, suspendeu hoje o julgamento, revelou fonte judicial.
O juiz tomou a decisão depois de rejeitar uma das sete confissões de culpa da militar norte-americana de 22 anos, acusada de maus-tratos a prisioneiros, incumprimentos dos seus deveres e gestos obscenos.
"Nós vamos declarar um incidente processual em pelo menos uma parte do processo" de fixação da pena, declarou o juiz, o coronel James Pohl, no final de uma intenso dia de audição de testemunhas no tribunal marcial reunido na base militar de Fort Hood (Texas, sul) onde Lynndie England comparece desde segunda-feira.
A foto de England, sorridente enquanto segurava pela trela um prisioneiro iraquiano nu, circulou em todo o mundo quando foi publicada pela imprensa em Abril de 2004, e tornou-se o símbolo do escândalo das sevícias infligidas aos prisioneiros iraquianos nesta prisão perto de Bagdad.
Lynndie admitiu a sua culpa em sete das nove acusações que sobre ela impendem, nos termos de um acordo negociado pela sua defesa que implica uma redução da pena, que podia inicialmente ir até aos 16 anos e meio de prisão.
Mas hoje, o juiz Pohl indicou que não podia resolver a contradição existente entre a sua admissão de culpa e o testemunho do cabo Charles Graner, que hoje admitiu ter dado ordem de manter o detido com trela.
Depois da suspensão do julgamento, o acordo entre a acusação e a defesa, sobre uma redução da pena em troca da admissão de culpa, cai e todo o dossier vai ser reexaminado pelas autoridades militares norte- americanas.