Julgamento de homicida Luigi Mangione nos EUA adiado

Julgamento de homicida Luigi Mangione nos EUA adiado

O julgamento no tribunal do Estado de Nova Iorque do jovem norte-americano Luigi Mangione, homicida confesso de um executivo de seguros de saúde, foi adiado na segunda-feira.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Jordan Tovin - Reuters

Os advogados de Mangione exigem a anulação total das acusações a nível estadual contra este, que se declarou culpado na semana passada a nível federal, argumentando que não pode ser julgado duas vezes pelos mesmos factos.

O juiz Gregory Carro, que exerce funções no Supremo Tribunal do Estado de Nova Iorque, ordenou assim um novo calendário que permita às partes debaterem a questão, adiando o julgamento, inicialmente previsto para 08 de setembro.

Mangione, de 28 anos, é acusado de ter assassinado Brian Thompson, de 50 anos, diretor-geral da UnitedHealthcare em 2024, como vingança contra o sistema de seguros de saúde norte-americano, após anos de dores nas costas.

Acusado perante a justiça federal por atos de assédio relacionados com a perseguição à sua vítima, reconheceu pela primeira vez na sexta-feira ter disparado sobre esta com uma arma de fogo.

"Na manhã de quatro de dezembro, disparei contra o Sr. Thompson em Manhattan e ele morreu", afirmou num processo de confissão de culpa, acrescentando que sabia que o que estava a fazer era "ilegal".

A sua pena neste processo será proferida a 18 de dezembro. O Ministério Público anunciou que irá requerer prisão perpétua.

Nos Estados Unidos, os arguidos podem ser julgados por um mesmo crime tanto a nível do estado onde os factos ocorreram como a nível federal. No entanto, as acusações tendem a diferir, como é o caso de Mangione.

Este caso dividiu profundamente a opinião pública americana, já de si muito polarizada. Os conservadores, encorajados pelo Presidente Donald Trump, denunciaram um crime cometido a sangue frio, enquanto os apoiantes de Mangione o veem como um combatente das seguradoras de saúde, às quais acusam de privilegiar os lucros em detrimento da assistência médica.

Na sexta-feira, um homem gritou na audiência "A América ama o Luigi", levando familiares de Brian Thompson a saírem do tribunal.

Após ter fugido, Mangione foi detido em Altoona, na Pensilvânia, a 09 de dezembro de 2024, na sequência de uma denúncia feita por funcionários do restaurante onde se encontrava.

Tinha-se deslocado a Nova Iorque de autocarro a partir de Atlanta, na Geórgia (sul), cerca de dez dias antes do crime, segundo informaram os procuradores.

Depois de ter reservado um quarto num albergue da juventude em Manhattan utilizando documentos falsos, terá feito reconhecimentos nas proximidades do hotel da vítima e do local da conferência onde ocorreu o tiroteio.

O crime foi filmado por câmaras de videovigilância.

Após a sua detenção, os agentes revistaram-no e examinaram os seus pertences pessoais, entre os quais foram encontrados uma pistola e um silenciador.

Mangione admitiu na semana passada em tribunal que tinha utilizado uma impressora 3D para fabricar uma arma de fogo e equipá-la com um silenciador e um carregador.

Um documento manuscrito de três páginas que referia a sua "hostilidade em relação às empresas americanas" também foi apreendido aquando da sua detenção.

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