Julgamento de Saddam Hussein adiado para dia 24

O julgamento de Saddam Hussein e de sete co-acusados pelo massacre de xiitas em Dujail foi adiado para dia 24, para tentar resolver o boicote ao tribunal do Presidente iraquiano deposto, três outros arguidos e respectivos advogados.

Agência LUSA /

Saddam Hussein, três antigos altos responsáveis iraquianos e os seus advogados boicotaram as sessões de segunda-feira e hoje.

O juiz presidente Rauf Abdel-Rahman disse que o julgamento será retomado dia 24 e advertiu que se os advogados não concordassem em regressar nessa altura as alegações finais daqueles quatro arguidos seriam feitas por causídicos nomeados pelo tribunal.

"A ausência dos advogados originais prejudicará o processo dos clientes", disse ainda Abdel-Raham.

Os advogados de Saddam, Barzan, Taha Yassin Ramadan e Awad al- Bandar anunciaram segunda-feira que boicotavam a fase final do julgamento enquanto não fossem satisfeitas as suas reivindicações, que incluíam maior segurança na sequência do assassínio de um dos seus colegas no mês passado.

Saddam Hussein disse também que boicotava o julgamento, adiantando que o tribunal não era justo e era instrumento dos norte- americanos.

Desconhece-se se este adiamento representará um atraso na apresentação do veredicto, que funcionários judiciais tinham previsto para meados de Agosto.

Saddam Hussein e os sete co-acusados estão a ser julgados há nove meses pelo massacre de 148 xiitas da localidade de Dujail, a norte de Bagdad, após um ataque contra uma coluna do então Presidente iraquiano em 1982.

Na sessão de 21 de Junho, a acusação pediu a pena de morte para Saddam Hussein, o seu meio-irmão Barzan al-Tikriti, chefe dos serviços secretos na altura do massacre, e o antigo vice-Presidente Taha Yassin Ramadan.

Esta semana, o tribunal ouviu as alegações finais dos advogados de defesa de quatro arguidos de segundo plano, incluindo as de Abdallah Kadhem al-Rueid e o seu filho Mezhar ouvidas hoje.

Abdallah e Mezhar são acusados de ter denunciado aldeões de Dujail que depois foram mortos e o segundo clamou hoje a sua inocência perante o tribunal.

"As pessoas de Dujail são a minha família e a minha tribo, estamos ligados pelo sangue", disse. "A minha mulher é xiita e a mulher do meu filho é xiita".

"Peço clemência para a minha família e para mim", disse ainda.

O advogado de Abdallah al-Rueid disse que alegadas cartas do arguido com informações apresentadas pela acusação eram falsificadas.

"Apenas peço justiça ao tribunal e espero que Deus vos abençoe", referiu Abdallah, de 90 anos. "Tenho oito filhos e netos. A minha família tem agora 100 pessoas. Quero que os meus filhos e netos tomem conta de mim".

Além deste processo, o deposto Presidente iraquiano e seis dos seus antigos colaboradores deverão ser julgados a partir de dia 21 de Agosto por genocídio contra o povo curdo, pela campanha Anfal nos anos 1987 e 1988 que se estima terá provocado a morte de 100.000 curdos.

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