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Julgamento de Saddam Hussein começou em Bagdad

Julgamento de Saddam Hussein começou em Bagdad

O julgamento do ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, e de sete colaboradores começou hoje em Bagdad, com o advogado de defesa a pedir um adiamento de três meses, noticiou a CNN.

Agência LUSA /
Ditador iraquiano no banco dos réus EPA

Saddam Hussein compareceu hoje às 12:24 locais (10:24 em Lisboa) no Tribunal Especial num edifício que serviu de sede do Partido Baas na Zona Verde de Bagdad.

Segundo a estação de televisão britânica Sky News, Rizgar Mohammed Amin, um curdo com cerca de 40 anos, foi nomeado presidente do Tribunal Especial que julgará Saddam Hussein.

Os nomes dos cinco juízes tinham sido mantidos secretos por razões de segurança.

Os jornalistas escolhidos para assistirem à audiência, num total de 25, foram transportados para o local em autocarros com os vidros escurecidos.

Os profissionais da comunicação social foram minuciosamente revistados e não foram autorizados a levar os computadores portáteis, blocos de apontamentos ou canetas.

Militares norte-americanos fortemente armados asseguram a protecção do tribunal.

Numa sala de conferências situada no perímetro, encontram-se jornalistas, não autorizados a entrar no tribunal, na esperança de poderem seguir o julgamento através de um circuito fechado de televisão.

O julgamento está a ser transmitido em directo pela televisão iraquiana.

Saddam Hussein, capturado a 13 de Dezembro de 2003, oito meses após a queda do seu regime, com a entrada das tropas norte-americanas em Bagdad, a 09 de Abril, comparece perante cinco juízes numa audiência rodeada de medidas de segurança excepcionais.

Os oito arguidos encontram numa área delimitada com grades, dispondo de microfones.

Entre os colaboradores do ex-ditador também hoje presentes em tribunal figuram Barzan Ibrahim Hassan (um dos seus três meios-irmãos e seu conselheiro presidencial) e Taha Yassin Ramadan (ex-vice- presidente), que participaram no golpe de Estado de 1968 que levou ao poder o partido Baas.

Os outros cinco são Awad Ahmed al-Bandar (antigo juiz do tribunal revolucionário e adjunto do chefe de gabinete de Saddam Hussein), Abdallah Kadhem Rueid, Mezhar Abdallah Rueid, Ali Daeh Ali e Mohammed Azzam al-Ali (os quatro eram responsáveis do partido Baas na região de Dujail).

Saddam e os sete outros acusados podem ser condenados à pena de morte.

Os oito são acusados pela "execução de 143 aldeões, o sequestro de 399 famílias, a destruição das suas casas e terras" agrícolas na aldeia de Dujail, situada 60 quilómetros a norte de Bagdad.

Hoje, o chefe da equipa de advogados de defesa de Saddam e dos sete colaboradores do ex-presidente, Kalil al Duleimi de Saddam queixou-se de que o Tribunal Especial estava a "obstaculizar a defesa".

Duleimi disse, que o tribunal está a colocar todo o tipo de impedimentos à defesa que quer chegar ao lugar secreto dentro da zona verde onde se realiza o julgamento.

Duleimi queixou-se ainda que a defesa não teve tempo suficiente para preparar as alegações e que as escassas reuniões que teve com Saddam Hussein foram realizadas sob rigorosa vigilância norte- americana.

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