Julgamento do homicídio de turistas italianas marcado para 10 de Abril
Cidade da Praia, 04 Mar (Lusa) - O início do julgamento do caso das duas turistas assassinadas na ilha do Sal, em 2007, está marcado par dia 10 de Abril, com dois jovens cabo-verdianos no banco dos réus.
Segundo o jornal "A Semana", quer os arguidos quer as famílias das vítimas já foram notificados, devendo o julgamento ser, "em princípio", público.
Os arguidos, Sandro e Admilson, estão em prisão preventiva desde Fevereiro do ano passado. O primeiro é acusado da autoria de dois crimes de homicídio agravado, um homicídio na sua forma tentada, roubo, danos, agressão sexual com penetração e ocultação de cadáver. O segundo é responsabilizado pelos mesmos delitos de Sandro, à excepção dos crimes de danos e agressão sexual.
Um terceiro jovem, Daniel, será apenas arrolado como testemunha, já que esteve no local do duplo homicídio mas já depois dele ter ocorrido e recusou-se mesmo a ajudar os dois arguidos a enterrar as vítimas, conforme disse fonte policial à Lusa.
Testemunha no processo é também Agnese Paci, a jovem que acompanhava as duas vítimas e que foi violada e agredida por Sandro, que julgou tê-la morto, tendo esta conseguido escapar e ser socorrida já longe do local do crime por um taxista, também testemunha no processo.
A 09 de Fevereiro do ano passado foram encontradas mortas e enterradas duas turistas italianas, Dália Saiani (33 anos) e Giórgia Busato (28), que há muitos anos viajavam para a ilha do Sal, onde inclusivamente já tinham casa.
As duas trabalhavam em turismo e no dia da morte (na noite de 08 para 09) estavam acompanhadas de uma amiga, Agnese Paci (17 anos), que conseguiu escapar com vida.
Segundo relatos feitos na altura à Agência Lusa, no dia 08, um antigo namorado de Dália Saiani, Sandro do Rosário, convidou a jovem para jantar em sua casa, na capital da ilha, Espargos, tendo esta decidido convidar também as duas amigas, Giorgia e Agnese, tanto mais que era público que as relações entre os dois ex-namorados já não eram boas.
Fontes policiais e amigos das vítimas contaram à Lusa que Sandro foi buscar as três jovens ao início da noite desse dia, uma quinta-feira, e que ia acompanhado de um amigo, conhecido por "Kitã".
Segundo relatos da polícia, citando as confissões dos dois jovens, Sandro não se dirigiu a sua casa, como estava previsto, mas antes conduziu em direcção a Palmeira, perto de Espargos, onde alegadamente iria levar o amigo que com eles viajava.
Porém, pouco antes de chegar a Palmeira, Sandro desviou para a praia de Fontona, uma zona sem casas mas que tem a particularidade de ser das poucas da ilha que é arborizada.
Cerca de dois quilómetros mais à frente, numa estrada de terra batida e erma, Sandro, terá parado o carro e usado um spray para atordoar as jovens que viajam no banco de trás. Depois tirou Giórgia do carro e estrangulou-a e em seguida ele e o amigo mataram Dália, ou julgam matar, da mesma forma, enquanto avisavam Agnese que se saísse do carro lhe acontecia o mesmo.
Agnese ficou dentro do automóvel, enquanto as amigas eram colocadas numa cova aberta perto (há várias no local, feitas para tirar pedra para a construção civil e de estradas) e aí agredidas na cabeça com uma pedra grande e pontiaguda.
"Titã" contou ao comissário da polícia dos Espargos que os dois viram que Dália ainda estava viva quando começaram a despejar-lhe baldes de terra para cima, comprovado pelo facto a autopsia ter revelado vestígios de terra e areia nos pulmões.
Ainda segundo relatos do comissário, Sandro terá depois agredido e violado Agnese Paci num local um pouco afastado, regressando em seguida para junto do amigo para o ajudar a continuar a enterrar as duas jovens.
Só que ao regressarem ao local onde ficara Agnese, esta tinha desaparecido, pelo que os dois alegados homicidas foram a um bar em Espargos, ainda segundo relatos policiais, e regressaram depois ao local do crime com um terceiro elemento, Daniel, para procurar Agnese e enterrar melhor as duas vítimas.
Agnese passou a noite escondida e caminhando, já de manhã, pela praia até encontrar ajuda, na estrada que liga Espargos a Santa Maria.
Levada ao hotel Djadsal, em Santa Maria, onde estavam hospedados os amigos, Agnese contou que fora agredida por Sandro numa zona arborizada. Na altura a jovem não sabia que as amigas estavam mortas.
Um grupo de italianos deslocou-se então a Fontona e descobriu os restos do telemóvel de Agnese, que Sandro partira quando viu que ela tentava mandar uma mensagem, e depois o monte de terra, que lhes deixou suspeitas. Foram esses italianos que encontraram os corpos e chamaram a polícia.
Iniciadas as investigações, nesse mesmo dia 09 de Fevereiro à tarde, os dois suspeitos foram detidos. Agnese regressou a Itália a 13 de Fevereiro e a 14 seguiram para a terra natal os restos mortais das duas amigas.