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Junta militar de Myanmar responsabilizada pelas mortes de mais de 160 crianças
A junta militar de Myanmar é acusada pelo governo de unidade nacional no exílio de ter causado as mortes de 165 crianças durante o ano de 2022. Muitas terão sido submetidas a torturas e mantidas como reféns até que os pais se entregassem.
Os dados do relatório divulgado esta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian apontam para um aumento de 78 por cento de vítimas em relação ao ano passado.
Thomas Kean, consultor em Myanmar para o International Crisis Group, explica que os relatórios geralmente são acompanhados de provas, por isso “o número do NUG parece crível”, afirma.
Os ataques de artilharia contra as forças resistentes à junta terão sido a principal causa das mortes, uma vez que o uso de poder aéreo é mais indiscriminado, sublinha Kean.
De acordo com um porta-voz do Ministério de Mulheres, Jovens e Crianças do governo exilado, o regime militar está a intensificar os bombardeamentos e ataques aéreos e os alvos são escolas em zonas conotadas com o executivo de unidade.
Junta soldiers burnt down more than 70 civilians' houses in TawKyaungLay village in #Sagaing Region's #Chaung_U township at around 8 am on December 28, according to local PDF. #2022Dec29Coup #WarCrimesOfJunta #WhatsHappeningInMyanmar pic.twitter.com/IiGnBrGyV5
— Ñwăýööchocho 輝🇲🇲✊🏽 (@katycho22222) December 29, 2022
Thomas Andrews, relator especial da ONU sobre a situação dos Direitos Humanos em Myanmar afirmou, em junho, que havia relatos de crianças espancadas, cortadas, esfaqueadas, queimadas com cigarros e com unhas arrancadas.
Os rapazes terão sido “expostos a pressões ou submetidos a simulações de execuções”, enquanto que "as raparigas foram agredidas sexualmente”, descreveu Andrews.
O relatório da ONU avançou que o número de crianças torturadas desde o golpe seria 142, somando-se mais de 1.400 detidas arbitrariamente.
A UNICEF denunciava em setembro a morte de pelo menos “11 crianças num ataque aéreo indiscriminado a áreas civis, incluindo uma escola no município de Tabayin, região de Sagaing, em Myanmar”.
A Comissão da ONU sobre os Direitos da Criança já pediu que os perpetradores sejam responsabilizados e que a assistência seja prestada com segurança às crianças de Myanmar, onde se estima que 5,6 milhões de crianças necessitem de assistência humanitária.
A 27 de dezembro, a Associação de Assistência aos Presos Políticos listava um total de 2.660 pessoas assassinadas desde o início do golpe.