Júri declara advogada direitos cívicos nos EUA culpada de ajudar terroristas

Uma advogada de Nova Iorque foi hoje declarada culpada de ajudar um grupo terrorista a passar mensagens de violência de um líder religioso extremista, a quem defendia, aos seus seguidores no exterior.

Agência LUSA /

O cliente, o xeque cego Omar Abdel Rahman, foi condenado em 1995 a prisão perpétua por liderar uma conspiração para cometer atentados três anos antes contra objectivos norte-americanos, entre eles o World Trade Center, em Nova Iorque.

O júri, que se retirou para deliberar a 12 de Janeiro, também já condenou um empregado dos correios, Ahmed Abdel Sattar, e um intérprete de árabe, Mohamed Yusry.

Sattar era acusado de conspirar para "matar e sequestrar pessoas num país estrangeiro" ao ter publicado um édito que instava a actos de violência, e Yusry foi condenado por proporcionar material de apoio aos terroristas.

Lynne Stewart, 65 anos, advogada de direitos cívicos, e conhecida por ter representado outros radicais, é acusada de conspiração e apoio material a um atentado terrorista e incorre numa pena até 20 anos de prisão quando for conhecida a sua sentença, a 15 de Julho.

Ao ser lido o veredicto, Stewart pôs a mão na boca em sinal de profunda estupefacção.

"Espero que isto seja um sinal de alarme para todos os cidadãos", disse à imprensa à saída do tribunal. "Não podem prender todos os advogados", acrescentou reprimindo as lágrimas.

"A batalha continua", comentou o seu defensor, Michael Tigar.

Perante o tribunal, Lynne Stewart assegurara nunca ter apoiado o conceito de guerra islâmica defendida por Abdel Rahman.

"Não tenho o gosto do fundamentalismo", disse Stewart durante o julgamento.

Lynne Stewart é conhecida desde há 30 anos como uma defensora dos activistas radicais e de clientes pouco convencionais, como os membros das mafias.

O Ministério Público assegurou durante o processo que Stewart tinha transmitido mensagens do religioso egípcio seu cliente a outros membros da sua organização terrorista, podendo assim ter contribuído para se cometerem actos de violência.

O xeque, de 63 anos, cego e diabético, foi condenado juntamente com nove cúmplices, depois de um dos mais importantes julgamentos celebrado até então sobre terrorismo nos Estados Unidos.

O caso estava relacionado com uma conspiração para atentar contra a sede da ONU e tentar matar o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Outros objectivos eram dois túneis e uma ponte de Nova Iorque e um edifício do FBI (polícia federal).

O líder religioso ficou confinado no Minnesota, a uma prisão onde lhe era proibido comunicar com qualquer pessoa, à excepção da mulher e advogados.

O Ministério Publico sustenta que a advogada rompeu o regulamento ao levar a sua mensagem para o exterior, apesar de Stewart ter sempre proclamado a sua inocência e assegurado que se limitava a fazer o seu trabalho em defesa de Rahman.

Segundo os seus advogados, a defensora dos direitos civis é vítima das suas próprias posições radicais e por ter representado clientes como membros do grupo radical "Weather Underground".

Todavia, o Ministério Público apresentou provas de que ela infringiu as restrições impostas a Rahman e Stewart declarou durante o julgamento que a violência às vezes é necessária para se obter justiça.

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