Justiça da Irlanda do Norte anula proibição de desfile unionista previsto para hoje

Justiça da Irlanda do Norte anula proibição de desfile unionista previsto para hoje

Um grupo unionista obteve autorização judicial para desfilar hoje por uma localidade de maioria católica e nacionalista na Irlanda do Norte, após o Supremo Tribunal ter anulado uma decisão que proibia a marcha.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A presidente do Supremo Tribunal da Irlanda do Norte reverteu, durante a madrugada, a decisão, tomada horas antes por outro juiz, que impedia o desfile da Ordem de Orange pela Garvaghy Road, em Portadown.

A magistrada Siobhan Keegan afirmou que a decisão anterior, que proibia a marcha, continha um erro jurídico e, por isso, autorizou a Ordem de Orange a marchar pela cidade no condado de Armagh.

A Ordem de Orange é uma organização fraterna protestante conservadora que defende a manutenção da união da Irlanda do Norte com o Reino Unido.

Nos últimos anos, devido às mudanças demográficas, a rota tornou-se um ponto de controvérsia, uma vez que os residentes (de maioria católica e nacionalistas irlandeses) relatam sentir-se intimidados e em perigo por causa do desfile.

A decisão judicial desencadeou tensões imediatas na zona. Vários residentes e ativistas nacionalistas começaram a concentrar-se ao longo da Garvaghy Road para bloquear o percurso previsto.

A vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, Emma Pengelly, de ideologia unionista, fez um apelo à calma poucas horas antes do início do desfile, que está marcado para hoje de manhã.

"Peço-vos que não deem ouvidos àqueles que tentam provocá-los, àqueles que tentam acirrar a retórica e semear o ódio, àqueles que tentam marginalizar os outros", disse Pengelly.

"Todos nós, independentemente da posição ou do ponto de vista, devemos fazer todo o possível para manter a calma", declarou a dirigente.

O partido unionista DUP, ao qual pertence Pengelly, denunciou insultos e assédio contra os seus representantes à porta do Supremo Tribunal no sábado.

Por sua vez, a direção do partido político nacionalista irlandês Sinn Féin classificou a decisão judicial de vergonhosa, denunciando que visa "forçar uma marcha indesejada" sobre a comunidade católica.

O Sinn Féin é o partido com mais assentos na Assembleia da Irlanda do Norte desde as eleições de 2022 e ao qual pertence a atual primeira-ministra da região, Michelle O`Neill.

Em 14 de setembro, Michelle O`Neill, também colíder do Sinn Féin, defendeu, juntamente com os primeiros-ministros da Escócia, País de Gales, "o direito à auto-determinação" e pediram ao governo britânico para preparar e facilitar a independência.

No entanto, qualquer reforma constitucional tem de ser aprovada pelo Governo britânico, sediado em Londres. 

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, excluiu recentemente a possibilidade de uma votação sobre a unificação da Irlanda desejada pelo Sinn Féin.

A questão do futuro constitucional da Irlanda do Norte voltou a surgir em 12 de setembro, quando o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou que seria "fantástico" uma Irlanda "unificada".

Os acordos de paz de 1998 preveem que possa ser organizado um referendo sobre a unificação da Irlanda caso o governo britânico considere existir um apoio da maioria dos eleitores da Irlanda do Norte a favor da unificação.

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