Justiça francesa abre investigação a ministro de Emmanuel Macron

A justiça francesa anunciou hoje a abertura de uma investigação preliminar a Richard Ferrand, ministro da Coesão Territorial do Governo do atual Presidente.

RTP /
Richard Ferrand com Macron durante uma ação de campanha nas presidenciais francesas Reuters

O ministro de Macron tem sido alvo nas últimas semanas de notícias que o envolvem em negócios imobiliários e suspeitas de favorecimento da mulher. A investigação foi anunciada esta quinta-feira por um procurador francês da região de Brest.

Rosário Salguerio, correspondente da RTP em Paris.

Tem sido igualmente apontado o facto de ter contratado o seu filho como assistente, tendo sido pago com fundos parlamentares. Uma situação que não é, no entanto, ilegal em França, como acontece noutros países europeus. 

O semanário Le Canard Echaîne, o mesmo que revelou o escândalo dos ordenados fictícios do candidato republicano François Fillon, tem vindo a publicar nos últimos dias pormenores sobre o alegado favorecimento da companheira num negócio imobiliário, quando era responsável por um fundo de seguros de saúde em 2011.

O comunicado do procurador de Brest faz referência às notícias de "diferentes jornais" que visam os negócios do ministro e que têm levado aos pedidos de demissão por parte da oposição. 


No mesmo comunicado, é explicado que a abertura desta investigação preliminar não é indicativa de uma qualificação criminosa ou da imediata culpabilização do ministro em causa.

A abertura desta investigação acontece no mesmo dia em que é apresentada uma lei sobre a moralização da ética política, uma medida prometida pelo novo Presidente da França durante a campanha eleitoral. 
Richard Ferrand é dos ministros mais próximos de Emmanuel Macron e foi o braço direito do atual Presidente francês na caminhada até ao Eliseu. 

O inquérito surge a apenas dez dias das eleições parlamentares, um voto em que o novo chefe de Estado francês procura assegurar uma maioria na Assembleia Nacional com o movimento "La Republique en marche!".

Este é o primeiro escândalo a envolver a entourage do novo Presidente francês, eleito no passado dia 7 de maio na segunda volta das eleições presidenciais, após vitória sobre a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen.

Questionado sobre o assunto, Emmanuel Macron, que viaja esta quinta-feira para Morbihan, recusou-se a comentar a abertura da investigação. 
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