Kadhafi defende reforma que extinga Conselho de Segurança da ONU
O líder líbio defendeu hoje a extinção do Conselho de Segurança, no âmbito da reforma das Nações Unidas, com atribuição dos poderes à Assembleia Geral, considerando ser esta a única forma de garantir uma verdadeira democratização da organização.
Num comunicado, publicado numa página paga como publicidade no jornal britânico The Guardian, Muammar Kadhafi classificou o Conselho de Segurança como um "horrível e forçado instrumento de ditadura", um "chicote de execução sem possibilidade de recurso das suas decisões, mesmo quando o julgamento é injusto, desequilibrado e prejudicial".
O mundo estaria "mais bem representado" pelos 191 membros da Assembleia-Geral da ONU mas esta "não tem poderes, responsabilidades e não é respeitada", defendeu o líder líbio.
O Conselho de Segurança da ONU tem cinco membros permanentes - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China - que têm poder de veto, e dez membros não permanentes, eleitos para mandatos de dois anos.
As críticas de Kadhafi vão ainda mais longe ao afirmar que "é uma perda de dinheiro para os países enviarem delegações a Nova Iorque para participarem num acto cómico e ridículo", referindo-se às consultas que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, está a realizar, no âmbito da reforma da instituição.
Uma das hipóteses que está a ser ponderada consiste em alargar o número de membros permanentes e países como a Alemanha, o Japão, a Índia e o Brasil, manifestaram já a intenção de apresentar candidaturas.
Neste sentido, Kadhafi considera que "alargar o Conselho de Segurança pode expor a paz mundial a novos perigos e fazer surgir uma guerra fria que poderá em breve tornar-se quente".
O líder líbio defende que os poderes do Conselho de Segurança deviam passar para a Assembleia-Geral, mais representativa, promovendo assim a paz e a democracia.
Kadhafi conquistou recentemente o apoio da comunidade internacional ao renunciar ao programa líbio de armas de destruição maciça mas em termos de democracia interna não parece empenhado em dar o exemplo dado que se mantém no poder desde 1969, sem a realização de eleições livres e justas no país.