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Kadhafi escondeu armas em embaixadas líbias por todo o mundo

Kadhafi escondeu armas em embaixadas líbias por todo o mundo

O regime do ex-ditador líbio Muammar Kadhafi tinha em curso um programa secreto para esconder armas e explosivos em representações diplomáticas da Líbia distribuídas pelo mundo. A revelação foi feita pelas novas autoridades líbias que ainda estão a tentar deslindar os contornos desta operação clandestina.

RTP /
Sabe-se agora que o regime de Kadhafi tinha escondido autênticos arsenais em várias representações diplomáticas líbias espalhadas pelo mundo DR

O equipamento encontrado inclui armas ligeiras, granadas e materiais para construção de bombas e foi enviado para as várias embaixadas através de correio diplomático.

As novas autoridades de Trípoli não sabem se este armamento se destinava a ser utilizado em operações de assassínio contra dissidentes líbios no estrangeiro ou em ataques contra os próprios países que hospedavam as embaixadas.
"Arsenal" diplomático
O esquema, cuja magnitude começa agora a ser compreendida, veio à superfície depois de a nova liderança líbia ter encontrado as armas, quando tomou posse das instalações diplomáticas na sequência da rebelião que levou à queda do coronel Kadhafi.

Os funcionários de Kadhafi enviaram armas para “muitos países, na África, Asia e Europa, . Por isso não era só em dois ou três países”, disse à Reuters o vice-ministro dos negócios estrangeiros líbio Moammed Abdul Aziz.

Questionado sobre se as armas tinham sido escondidas nas embaixadas como parte de uma operação concertada concebida no seio da administração Kadhafi, Abdul Aziz disse: “Não tenho a menor dúvida disso, a menor dúvida”.
Objetivos da operação estão no segredo dos deuses
“Ninguém sabe qual era o plano. Seria tentar resolver certos problemas no que respeitava ao país hospedeiro? Seriam para ser usadas contra cidadãos líbios? Ninguém sabe.Honestamente, tudo é possível, tratando-se do anterior regime”, disse.

Durante os 42 anos em que esteve no poder, o regime de Muammar Kadhafi foi, por repetidas vezes, acusado de exportar a violência.

Entre os casos mais mediatizados, contam-se o atentado contra um avião norte-americano de passageiros sobre Lockerbie na Escócia, em 1988 e o assassínio da mulher-polícia Yvonne Fletcher, ocorrido em 1984 no exterior da embaixada líbia em Londres.

O facto de os colaboradores de Kadhafi continuarem a manter armas no interior das embaixadas Líbias até ao ano passado, sugere que o coronel ainda planeava assassínios no estrangeiro, mesmo depois de ter renunciado publicamente à violência nos anos 90 e do restabelecimento das relações diplomáticas com o ocidente.
Carros amadilhados e granadas foguete
Ao longo dos últimos seis meses, à medida que os elementos kadhafistas foram perdendo o controlo sobre as embaixadas da Líbia, foram noticiadas descobertas de armas nas missões diplomáticas situadas nas capitais da Grécia, Egito e Marrocos.

No caso de Rabat, o material incluía veículos armadilhados e granadas foguete, segundo relatou a imprensa local.

De acordo com o vice-ministro dos negócios estrangeiros líbio, as descobertas que foram tornadas públicas representam apenas a ponta do icebergue.

Abdul Aziz disse que não podia revelar quais os países onde as embaixadas líbias tinham depósitos de armamento mas adiantou que, embora não tenha conhecimento de terem sido descobertas armas na representação diplomática nos Estados Unidos, as mesmas foram descobertas em embaixadas situadas em vários países da União Europeia, para além da Grécia, e também noutros continentes.

“Encontrámos uma grande variedade de armas. Encontrámos pistolas, granadas e produtos químicos… para fabricar certos tipos de granadas artesanais. Não se trata de armas químicas mas sim de produtos químicos”, disse o vice-ministro líbio dos negócios estrangeiros.
Novas autoridades líbias tentam resover imbróglio

Segundo este responsável, as embaixadas onde as armas foram descobertas estão atualmente no processo de negociar com os governos hospedeiros a entrega deste material ou permitir que ele seja devolvido, por meios legais à Líbia.

“Somos muito transparentes, não temos nada a esconder neste momento, mas não se pode ignorar o facto de existirem algumas armas”, disse.

De acordo com a Convenção de Viena, o tratado que regula as missões diplomáticas, um país hospedeiro não tem o direito de revistar as instalações diplomáticas de outro país. O tratado estipula que qualquer remessa enviada de para as embaixadas por correio diplomático apenas pode conter documentos ou artigos de uso oficial, mas estipula que os referidos pacotes não podem ser revistados ou apreendidos.
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