Kadhafi perde o controlo da Líbia

Muammar Kadhafi perde de dia para dia o controlo sobre a Líbia. As últimas indicações apontam para um regime em queda que apenas detém duas cidades da região oeste, incluindo a capital Tripoli. A rebelião criou já um Conselho Nacional de transição que representa as cidades libertadas pelos opositores, contando com o apoio dos Estados Unidos, que enviaram Hillary Clinton à Suíça para uma reunião no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

RTP /
Com a região Leste já está em poder dos revoltosos, os opositores do regime começam também a ganhar terreno a Oeste, nomeadamente junto a Tripoli Tiago Petinga, Lusa

Numa tentativa desesperada para segurar a população, Kadhafi terá ordenado aos bancos para pagarem aos habitantes da capital com o objetivo de os segurarem nas fileiras do regime. Neste momento, permanece a dúvida sobre quem segura as rédeas das cidades no sul do território, onde se encontram os campos petrolíferos.De acordo com as Nações Unidas são mais de 100 mil as pessoas que fugiram da Líbia

A rebelião percebeu entretanto que tem do seu lado os Estados Unidos e criou já um Conselho Nacional de transição, congregando os ensejos das cidades que caíram nas mãos dos opositores a Kadhafi.

A caminho de Genebra está a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que na Suíça vai procurar coordenar os esforços da comunidade internacional para dar resposta à repressão do regime líbio. Os bens do clã Kadhafi no exterior foram congelados; Inglaterra retirou ainda a imunidade diplomática ao coronel e a dois dos seus filhos em território britânico

“Estamos no início da era pós-Kadhafi”, apontava a representante da diplomacia norte-americana antes de entrar para o avião, adiantando que Washington está já “em contacto com numerosos líbios que tentam organizar-se naquele país e numa altura em que a revolução chega ao oeste" da Líbia.

Comunidade internacional aperta cerco ao regime de Kadhafi
Depois da decisão a uma só voz do Conselho de Segurança das Nações Unidas de enviar os últimos acontecimentos em território líbio para análise do Tribunal Penal Internacional, em solo europeu Hillary Clinton vai encontrar-se com líderes europeus, árabes e asiáticos.

O Conselho de Segurança decidiu um pacote de sanções contra o regime, tendo os quinze membros aprovado por unanimidade – inclusive a China - um embargo de armas e a proibição de viagens e congelamento de bens da família Kadhafi.

Numa linha clara de condenação da linha de violência que agora oriente o regime de Kadhafi, em Nova Iorque foi agendada uma reunião da Assembleia Geral para votar a suspensão da Líbia do Conselho de Direitos Humanos.

Caos reina na Líbia
As organizações de defesa dos Direitos Humanos apontam mais de dois mil mortos nestas duas semanas em que a revolução tomou conta das cidades líbias. Trata-se de números difíceis de confirmar porque numa primeira fase o regime de Muammar Kadhafi interditou o território aos jornalistas estrangeiros.

No entanto, foram várias as fontes internas que acusaram as forças de Kadhafi de terem lançado helicópteros e aviões-caça contra os manifestantes que levavam a cabo protestos na ruas. Estas indicações estão no entanto na linha de afirmações proferidas pelo próprio Kadhafi, que na semana passada se mostrou em várias ocasiões para garantir que iria resistir aos revoltosos com todos os seus meios, preferindo “morrer como mártir” a capitular.

No entanto, e com a região leste já em poder dos revoltosos, os opositores do regime começam também a ganhar terreno a oeste, nomeadamente junto a Tripoli.

Portugueses estão a caminho de Portugal
São esperados ao início da tarde em Lisboa os 56 portugueses que foram repatriados da cidade líbia de Benghazi, depois de no domingo terem realizado uma escala em Atenas, onde chegaram a bordo do ferry grego que os foi buscar juntamente com outros estrangeiros.

Também os oito portugueses que estavam em Misurata já chegaram a território nacional, tendo nesta altura saído da Líbia todos os portugueses que queriam abandonar o país.
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