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Kadhafi terá sido morto pelos serviços secretos franceses

Kadhafi terá sido morto pelos serviços secretos franceses

O jornal italiano Corriere della Sera apresenta hoje vários dados que apontam para a liquidação do ditador líbio pelos serviços secretos franceses. Estes teriam trabalhado persistentemente na localização de Kadhafi, por recearem que ele pudesse fazer revelações embaraçosas em tribunal sobre a sua quotização para a campanha eleitoral de Sarkozy em 2007.

RTP /
Uma das últimas fotos de Kadhafi, depois de capturado. DR

Um dos elementos em que se baseia o Corriere é a entrevista concedida pelo presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, Mahmud Jibril, à Dream TV. Jibril afirmara há dois dias a essa televisão egípcia que havia "um agente estrangeiro infiltrado nas brigadas revolucionárias para matar o coronel Kadhafi".

Por outro lado, o antigo responsável do CNT para as relações com os serviços secretos estrangeiros, Rami el Obeidi, afirmou também há poucos dias ao jornal Le Courier que Kadhafi fora localizado por especialistas da NATO graças aos contactos que mantinha através do seu telefone por satélite com o Governo sírio e com partidários seus refugiados na Síria.

Obeidi acrescenta a isto um dado mais preciso: "Foi o próprio presidente sírio a fornecer aos 007 franceses o número do telefone satélite de Kadhafi. Em troca, Assad terá obtido de Paris a promessa de limitar a pressão internacional sobre a Síria para pôr fim à repressão contra a população insurrecta".

Fontes diplomáticas não identificadas falaram também ao Corriere, corroborando a ideia de que os agentes estrangeiros acompanhantes da brigadas "não podiam ser outra coisa se não agentes franceses". Os mesmos círculos são citados a afirmar que "Sarkozy tinha todos os motivos para tentar fazer calar o coronel, e o mais rapidamente possível", porque este ameaçara dar a máxima divulgação ao contributo de um milhão de dólares que entregara para a campanha eleitoral do presidente francês.

Para culminar a série de informações e depoimentos, uma coincidência "conveniente":  acaba de falecer, há cerca de uma semana, Omran Ben Chaban, o estudante que aparecia nas imagens da captura de Kadhafi, a empunhar o famoso revólver dourado do ditador, e que por isso era frequentemente apontado como o autor dos tiros de misericórdia sobre um Kadhafi sujeito a linchamento.

Chaban morreu num hospital parisiense, vítima de ferimentos infligidos alegadamente por partidários de Kadhafi que quiseram vingá-lo. Seja como for, é menos uma testemunha privilegiada dos acontecimentos e mais um desaparecimento que dificultará a prova categórica do que sustenta a reportagem do Corriere.
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