Kaja Kallas sobre incursões russas: "Precisamos de ser realistas. Não são acidentes"

Kaja Kallas sobre incursões russas: "Precisamos de ser realistas. Não são acidentes"

A chefe da diplomacia europeia recordou aos eurodeputados a sequência de ataques da Rússia em países europeus para garantir que não são acidentes.

Andrea Neves - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: Reuters

“Desde que a Rússia iniciou a sua invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, tem havido um aumento constante de ataques híbridos contra a Europa. Vimos a Rússia demonstrar plenamente a sua perigosidade e imprudência nas últimas 48 horas. Um navio de guerra russo disparou sinalizadores contra um helicóptero dinamarquês. A Rússia atacou um comboio de passageiros perto da fronteira com a Ucrânia. A Polónia retirou um drone das suas águas. Os caças da NATO tiveram de abater um drone sobre a Lituânia”.

Sabe-se agora que este drone abatido na Lituânia, e que levou ao encerramento do espaço aéreo de Vilnius, transportava explosivos.
Foi o ministro da defesa deste país báltico quem o confirmou.

A presidente da Comissão Europeia já veio condenar esta situação e na rede social X escreveu que não se trata de incidentes isolados, mas um padrão de comportamento de Moscovo de agressão e de provocação contra a Europa para testar a prontidão e a determinação da União.

Ursula von der Leyen reafirmou que a Europa está a trabalhar com a NATO para reforçar a defesa comum.

Kaja Kallas salientou com determinação. “Precisamos de ser realistas. Estes não são acidentes. São tentativas calculadas da Rússia para enfraquecer a nossa determinação, testar a nossa unidade e manipular o medo de uma escalada. A Europa não irá retirar o seu apoio à Ucrânia enquanto a Rússia intensifica o conflito. Mantemos a nossa firme posição de apoio à Ucrânia e intensificámos a pressão sobre a Rússia”.“Putin é um bully clássico”
“Os ataques híbridos de Moscovo são planeados para nos intimidar, paralisar as nossas sociedades e fazer-nos hesitar em agir. Não devemos deixar que o medo dite as nossas escolhas”.

Perante os eurodeputados em Estrasburgo a chefe da diplomacia europeia fez apelo a um trabalho conjunto dos países europeus e dos serviços de inteligência dos 27.

“A Rússia adapta-se dependendo do país que está a atacar. Por esta razão, a nossa inteligência conjunta deve abranger todo o arsenal híbrido russo. É por isso que a partilha de informações é vital. Só posso encorajar os Estados-Membros a fazerem mais e a utilizarem da melhor forma possível a nossa inteligência e os nossos centros de análise de situação” reforçou Kallas.

A Rússia foi hoje considerada pelo Parlamento Europeu como a maior ameaça externa à União Europeia no relatório sobre o escudo de democracia aprovado no hemiciclo.

“Uma coisa é muito clara: Putin não vai parar a não ser que seja impedido. Portanto, como a Rússia está disposta a correr riscos maiores, a Europa deve impor um custo mais elevado, referiu Kaja Kallas que recordou que a União continua a denunciar os ataques da Rússia.

“Se atribuirmos estes ataques, a Rússia não poderá esconder-se, e os nossos cidadãos poderão ver os padrões e compreender as suas estratégias também. Devemos realizar este trabalho sistematicamente”.

“Também já cortámos o financiamento da Rússia pela raiz” defendeu a Chefe da Diplomacia Europeia.

“As sanções da UE já privaram a economia russa de 1 bilião de euros. Estamos agora a ultimar o maior número de listas até à data. Estamos também a desmantelar progressivamente a frota clandestina. As operações navais da UE estão a liderar as abordagens a embarcações suspeitas, graças à nossa atuação diplomática em todo o mundo através das nossas delegações da UE. Cada vez menos países permitem que estas embarcações naveguem sob as suas bandeiras”.

Kaja Kallas deixou um apelo aos eurodeputados: “Os ataques híbridos de Moscovo visam intimidar-nos, paralisar as nossas sociedades e fazer-nos hesitar em agir. É isso mesmo que Putin quer. Não devemos deixar que o medo dite as nossas escolhas. Devemos responder à altura destes ataques com ações concretas e uma resposta firme. A segurança da Europa assim o exige e os cidadãos esperam isso”.
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