Khashoggi. Europa apela a Riade para colaborar na investigação da ONU

Os países europeus vão pedir, esta semana, à Arábia Saudita para libertar ativistas detidas e para cooperar com a investigação liderada pela ONU sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

RTP /
Reuters

A declaração surge numa altura em que existe uma crescente preocupação com o destino das detidas, identificadas como ativistas dos direitos das mulheres.

As críticas à Arábia Saudita partiram da Islândia que foi apoiada por outros países europeus no Conselho de Direitos Humanos, reunido em Genebra.
A Islândia foi eleita o ano passado para ocupar o lugar deixado vago pelos Estados Unidos no Conselho de Direitos Humanos.
“Acreditamos que os membros do Conselho têm uma responsabilidade especial de liderar pelo exemplo e de colocar na agenda do Conselho a questão dos direitos humanos que merecem a nossa atenção coletiva”, afirmou à Reuters um diplomata islandês.

Um ativista da Human Rights Watch afirmou no encontro que os países membros do Conselho de Direitos Humanos deveriam exigir que a Arábia Saudita coopere com investigações sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, pare de atacar ativistas, críticos e jornalistas e liberte as pessoas que foram detidas injustamente.

"Nenhum Estado está acima da lei", disse John Fisher, diretor do Human Rights Watch em Genebra.

Adel bin Ahmed Al-Jubeir, ministro de Estado das Relações Exteriores da Arábia Saudita, afirmou, na passada semana em Genebra, que o seu país iria cooperar. No entanto, não se referiu explicitamente ao inquérito à morte de Khashoggi, liderada por Agnes Callamard, investigadora da ONU em execuções extrajudiciais.

O governante saudita afirmou também em Genebra que o país estava a trabalhar para garantir julgamentos justos e para melhorar as condições de detenção, além de capacitar as mulheres.

Callamard afirmou, depois de uma missão na Turquia no passado mês, que as evidências apontavam para o assassinato de Khashoggi ter sido “planeado e perpetrado” por funcionários sauditas. Jamal Khashoggi, jornalista e crítico do Governo de Riade, foi assassinado a 2 de outubro no consulado saudita em Istambul.

As agências de inteligência dos Estados Unidos acreditam que foi o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman que ordenou a operação para matar Khashoggi. Uma acusação negada por Riade.

Especialistas em Direitos Humanos afirmaram que a Arábia Saudita está a usar as leis antiterroristas para silenciar ativistas, numa violação da lei internacional que garante a liberdade de expressão, e apelaram a Riade para libertar ativistas como o advogado Walid Abu al-Kahir, o poeta Ashraf Fayadh e mulheres como Loujain al-Hathloul e Israa al-Ghomgham.
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